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domingo, abril 30, 2006

VELHA (NOVA) AMIGA



Velho amigo
Um sorriso
Uma canção
Na palma da mão
A linha comum
Velho amigo
Que estar contigo
Vale um milhão
Velho amigo
Quase um irmão
Na palma da mão
A linha comum
No teu coração
Nosso sangue corre
Nossa vida florindo
Em nosso chão
Velho amigo
Quase um irmão
Na palma da mão
A linha comum
Vivendo para sempre
Crescendo contigo
Que ser teu amigo
Vale um milhão!



(ressuscitei estas palavras, escritas há uns bons anos atrás, para as oferecer a uma amiga muito especial, na esperança que elas diminuam a sua tristeza e a sua dor. Um beijo muito grande)

segunda-feira, abril 17, 2006

MAS O MAIS ESTRANHO


é que quando faz anos que partiste
faz também
anos que nasceste.

E tenho a certeza de que isso te faz soltar uma gargalhada
seja lá onde estiveres.

Lembras-te como te rias
quando vias alguém cair ao chão?

Achavas que não havia nada mais ridículo (risível)
do que uma pessoa que não se segura nas próprias pernas!

Sabes que foi o teu riso que me salvou?
Sempre te recordei triste,
basta.

A dor não morre
mas nós morremos, um dia.

Quando morrer a última pessoa que se lembra de nós.
Até lá, estamos vivos
e bem vivos :)

TODAS AS VEZES


que faz anos que partiste
volto a lembrar-te
folha caída da árvore no meu outono distante.

E imagino-te agora
ave
solta
e livre
na primavera
ausente
da memória.

quarta-feira, abril 05, 2006

domingo, abril 02, 2006

AO MEU IRMÃO

Tinhamos brincadeiras que só nós entendíamos. Inventávamos linguagens e palavras complicadas com que gostávamos de baralhar os outros. Ainda hoje é assim. Da nossa infância longa recordo as brincadeiras malucas sobre a Heidi e o Wikie (respectivamente Beca e Wika) e todas as personagens que inventámos ao longo desses anos mágicos e que juntas formam uma multidão. E lembras-te, era em Londres que elas viviam, e chegámos a fazer uma planta da cidade com o nome das ruas e os trajectos dos autocarros. Essa Londres da nossa imaginação era uma aldeia ao pé desta onde vivo. Mas, de resto, tudo ainda está vivo, aqui, dentro de mim, e sei que contigo também.

Ainda me lembro de ser minúscula e de te imaginar a vir da escola pela rua, sentado na aranha. Era isso que imaginava quando a mãe me dizia que vinhas de carrinha para casa. Depois lembro-me de ter-me juntado a ti no banco de trás da carrinha a acenar pelo vidro enorme para as duas caras conhecidas paradas no passeio. Lembro-me desse outro reino assustador onde me sentia perdida e de te seguir os passos constantemente. Lembro-me de fugirmos dos maus da Tété e de darmos um pão com uma pedra da calçada lá enfiado a um miúdo para comer. E ele comeu! (O pão, não a pedra).

Lembro-me de tanta coisa que agora as palavras são poucas para sorrirem inteiras. Ao contrário, as memórias atropelam-se e fragmentam-se e enchem o espaço vazio da saudade. Hoje fazes anos e recordo este dia sempre com a casa cheia de amigos teus e meus. Mas há muito tempo já que a distância se interpôs nas nossas vidas, e, mal ou bem, já me habituei a ela. Porque no fundo sei que estamos sempre juntos, e que o nosso mundo de crianças continua vivo e alimenta ainda a nossa imaginação e os nossos dias. E, daqui de longe, desejo-te um óptimo dia de festa, e sei que ainda que não cheguem aí estas palavras, vai chegar o que elas dizem.

quinta-feira, março 30, 2006

PAT


Hoje foi o último dia de trabalho da Pat. Pelo que percebi, vai-se reformar. A Pat é uma senhora que trabalha no playgroup onde faço o meu estágio. Deve ter perto de 70 anos, tem o cabelo quase todo branco, uma cara enrugada, uns olhos verdes brilhantes e um sorriso que lhe ilumina o rosto e o rejuvenesce. Não tem nada o aspecto comum de uma sexagenária: veste calças de ganga e calça ténis, e usa camisolas de malha simples. Não pinta o cabelo, não usa maquilhagem para esconder as rugas nem os anos, aliás, como a maioria das pessoas desta idade aqui não o faz. As crianças adoram-na, talvez por ser quase como uma avó para elas. Uma avó que sabe endurecer a voz e a expressão quando é preciso. Que dá colo e mimos e ternura. Que canta com eles, e salta e pula ao som de uma música animada. Que lhes conta histórias engraçadas e ri com eles. Quando comecei a trabalhar lá, e me sentia perdida, gostei logo dela, da sua simpatia e da sua autenticidade. Da sua simplicidade. Dos seus cabelos brancos e do seu sorriso cheio de rugas. Hoje fui despedir-me dela e levei-lhe umas flores. Vou ter muitas saudades. Mesmo muitas. E acho que as crianças também.

domingo, março 26, 2006

ROSAS PARA O DIA DA MÃE


Dos três homens da minha vida.
E umas palavras muito, muito especiais.
A melhor prenda que me podiam dar, hoje.
:)

OCULTA
















Não te preocupes.
De mim nunca terás a máscara.
Comigo

um beijo é um beijo
um sorriso é um sorriso
um sim é um sim
e um não é um não.

Não tenhas medo.

De mim nunca terás o que
não digo.
O que não penso.
O que não sinto.

Apenas, e só
eu.

quarta-feira, março 15, 2006

POR AQUI

apesar do sol espreitar, ainda está frio. As árvores ainda estão nuas. E a minha alma está congelada. Hibernada. Escondeu-se na toca, a recordar o calor do verão e o beijo do sol, os braços sem mangas e os cachos de cabelos nos olhos. Fechou a porta e trancou-a à chave, acendeu a lareira e ficou a vasculhar uma velha arca cheia de fotografias antigas. Antigas? Não, a maioria nem têm um ano... Perdi a noção do tempo. E já nada me dá gozo. Não sei o que aconteceu, mas de repente já não encontro sentido naqueles gestos simples de todos os dias, o pão na mesa à espera, o jornal no chão ao pé da porta, cheio de rumores da vida lá fora. É a vida lá fora, que chama por mim. É o mundo que me entra pela janela em raios de luz e de calor, a encher as vidraças de reflexos e de sombras. Mas falta qualquer coisa na pintura. Se calhar é o calor, é a vida, são as folhas verdes, é a primavera que tarda nas cores ainda invernais da paisagem. Não sei. É algo inominável, fugaz, um sopro na brisa do vento. Como um botão perdido no bibe da escola. Um grão de areia na imensidão de um deserto sem nome. Uma pestana apertada no segredo dos dedos fechados, que a gente abre a medo, na antecipação da concretização de um desejo.

sexta-feira, março 10, 2006

NÃO SEI

porque raio fui lembrar-me disto agora.

Foi da última vez que fomos ao hospital com o Diogo. Quando ele tirou o gesso.

Estávamos à espera de tirar o r-x, quando a porta se abriu e saiu lá de dentro uma maca.

Estava uma criança deitada nela. Um menino. Um rapaz.

Teria 12, 13, 14?

O corpo era grande e forte, ainda com a suavidade do de um menino, já com a rubustez de o de um adolescente.

Era um corpo que irradiava vida, juventude.

A cabeça estava imobilizada, o pescoço amordaçado, de cada lado das orelhas dois blocos duros de plástico, à volta do queixo e da testa uma estrutura sólida, fixa, rija, a impedir os movimentos.

Ele saiu lá de dentro, e ficou deitado, imóvel, os olhos perdidos no tecto. Os olhos claros, lindos, perdidos no tecto. Ansiosos.

Depois começou a mexer-se, as mãos procuravam aliviar a pressão no queixo, na testa, as pernas davam pequenos esticões. Não parecia ter dores, parecia mais estar a sentir-se incomodado por estar preso.

A mãe (devia ser a mãe) estava sentada, longe dele, com o olhar vazio.

O pai (devia ser o pai) estava também sentado, ao lado dela, e depois levantou-se e sumiu-se no corredor interminável.

Por fim ele emitiu um som baixinho, e a mãe acudiu prontamente. Demorou-se algum tempo junto dele, falou-lhe, e voltou a sentar-se.

E as mãos dele não paravam aquela tarfefa árdua de aliviar a pressão no queixo.

E as pernas não conseguiam descansar.

Não consegui despegar os olhos dele. Daquele corpo de criança grande, de menino quase jovem. Da sua cara, perdida entre tantos objectos duros e complicados.

De repente apeteceu-me levantar, segurar-lhe no rosto com as duas mãos, olhá-lo bem no fundo dos olhos, tomar a sua ansiedade nas mãos e dizer-lhe: "Estou aqui, querido. Vai tudo correr bem. Não tenhas medo", enquanto lhe sorria.

Mesmo que por dentro estivesse aos bocados.

E ali, tive a certeza, se ele fosse meu (mas naquele momento era. Que sensação tão estranha de familiaridade!) eu seria uma rocha. Tive a certeza de que não sucumbiria, que me ergueria em força e em solidez, em maré cheia, em vento de bonança e paz.

Mesmo que por dentro rebentasse em sangue.

Porque o amor transforma-nos, o amor dá-nos tudo aquilo que nos falta, o amor faz-nos gigantes e invencíveis e dá-nos armas desconhecidas e almas renovadas.

O amor torna-nos possíveis, torna-nos mares entre ilhas distantes, canais entre portos de abrigo, pontes entre muros escondidos de nós mesmos.

Não sei porque raio me fui lembrar disto agora.

O amor, minha querida, dá-nos a miragem de tudo o que seria possível. Possível nascer. Possível ser. Possível morrer.

Estou triste. Tão triste, minha amiga.

Fico com o teu sopro, a tua carícia, a tua miragem, e as minhas lágrimas.

Um beijo.

domingo, março 05, 2006

A TI, ALEX


Quando cheguei à blogosfera
gostava de bater a portas diferentes
conhecer pessoas e opiniões novas
espreitar vidas alheias
afinal não é isto que fazemos nestas viagens?
Algumas salas estavam já cheias de gente
que mal ou bem já se conhecia
e trocava comentários calorosos
palmadas nas costas e piscares de olhos.
Eu, na minha pequenez
lá tentava pôr-me em bicos dos pés,
postava um comentário aqui e outro ali
mas as pessoas estavam entretidas
nas conversas animadas
que já mantinham com ilustres desconhecidos
e não pareciam reparar em mim.
Não me respondiam,
não me convidavam a entrar no seu canto
não me visitavam
não lhes interessava
e a minha voz ficava no ar, estagnada,
as palavras desenhadas
sem retorno
nem sorriso de olhos nos olhos.
Foste a primeira pessoa que visitei, Alex,
que verdadeiramente me abriu a porta de sua casa
me convidou a entrar para um copo
se interessou por mim
e quis saber de onde eu vinha.
Não esquecerei.
Beijinhos

quarta-feira, março 01, 2006

AH! AH! AH!

- Ola pa ele! Ola pa êli! Tá a caíli!!!
- Ai! O xinhôli nã pála di caíli!
- Mãe, ola! Tá xentado!
- Uauuuuu! O xinhôli xó tem um pé!
- Como xama êli?
- Ah! Ah! Ah! Ola pa êli!
- Puquê êli cai?
- Agola tá di pé!
- Uauuuu! Vai caíli!
- Eu empurrei êli!
- Ah! Ah! Ah!
- Agola tá di cabêxa pa báxo! Ah! Ah!
- Ola! Tá xigulado na bolas! Tá caíli! Ah! Ah!

Isto é o Diogo a brincar com ele!
Obrigada, Alex! Os meus filhos agradecem, e o meu stress também!
Ah! Ah!

terça-feira, fevereiro 28, 2006

OLHA QUE COISA MAIS LINDA


É verdade, um pãozinho, alentejaninho, deliciosinho, hum hum hum!
E mais deliciosa ainda vai ser a açorda alentejana que eu vou jantar! Eheh...
E tudo graças à minha amiga Graciete, que é uma querida e me trouxe esta preciosidade... Muitos beijinhos! Estou desejosa de te rever! :)
...
Quando começo a picar os coentros, até formarem uma pasta, misturados com o sal, em cima da uma tábua e com o auxílio de uma faca, porque aqui não tenho gral, já não estou aqui. O cheiro picante e familiar entrou-me pelas narinas e transpostou-me para longe, muito longe, directamente para o passado.

Para a cozinha grande e quente da minha avó.
Em cima da mesa de pedra está um gral cheio de coentros, e alguém está a pisá-los, com força, e o cheiro invade todo o espaço. As panelas fumegam ao lume, e o pão aguarda em cima da tábua para ser cortado.

Depois vejo-me à mesa, a açorda a chegar dentro de uma tijela enorme de vidro, e o cheiro dos coentros, sempre o mesmo cheiro, o sabor do pão encharcado no caldo quente da sopa. Uma delícia.

Vejo o meu avô, ao meu lado, comia sempre a fruta antes das refeições. E nós acompanhávamos esse hábito, e digo-vos, sabia muito melhor, começar o almoço pela fruta.

Vejo a minha avó a trazer um prato de figos para a mesa. Figos do Pinote...

Se fechar os olhos outra vez estou em casa da Natália, vejo o Aníbal na cozinha de volta dos tachos e das panelas, e no ar mais uma vez o cheiro dos coentros, e de outras coisas deliciosas que ele cozinhava. Na sua casa, era ele o cozinheiro. Nas suas mãos, a comida ganhava outro sabor, outro calor, único.

Lembro-me da Feira do Artesanato de Estremoz, e da 1ª Cozinha dos Ganhões. Lembro-me do calor tórrido que ali passei, debaixo de uma das barracas da feira (47ºC à sombra, meus filhos, não era brincadeira), da sensação de estar a assar às 2 da tarde, do duche de água quase fria que tomava antes de me deitar, da impossibilidade de dormir por causa do calor e das melgas.

E lembro-me das grandes tijelas de barro, cheias até acima, que nos traziam para a mesa, a fumegar, sopa de cação, açorda, sopa da panela... E nós devorávamos tudo, estávamos naquela idade em que o estômago cresce e parece que não tem fim... As mesas ficavam debaixo de um toldo de palhinhas, e o fresco da noite batia-nos na cara, numa carícia, era a única hora em que o calor dava tréguas e podíamos enfim respirar de alívio. E que fome que tínhamos...

E tudo por causa deste cheiro dos coentros, que sempre me faz recuar no tempo e saborear saudades em cada colherada desta açorda. Claro que a minha não sabe tão bem como as outras, as que comi há tanto tempo, as que ainda como às vezes em casa da minha mãe, mas dá para matá-las. Às saudades.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

domingo, janeiro 08, 2006

E CLARO

não podia deixar de agradecer os vossos comentários aos posts de baixo, a que não consegui responder ainda da forma que gostaria, por falta de tempo e de disponibilidade mental, como devem imaginar. Mas queria que soubessem que as vossas palavras amigas são muito importantes para mim. Um grande beijinho a todos!

segunda-feira, dezembro 12, 2005