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domingo, julho 31, 2011
domingo, fevereiro 20, 2011
sábado, julho 31, 2010
Eleven
Também era sábado, e estava calor. Telefonámos a dar os parabéns à avó e anunciámos que estávamos de saída para o hospital, e ela pensou que estávamos a gozar. Só acreditou quando lhe dissémos que as contrações já eram de cinco em cinco minutos. Onze anos. Onze anos, no Reino Unido, é um marco, o culminar de uma etapa, a escola primária, com a entrada na escola secundária. A idade em que passam a pagar bilhete nos transportes, e por isso têm direito a um passe que lhes dá acesso gratuito a todos os meios de transporte públicos. A idade, portanto, em que deixam de ser crianças, e passam a pré-adolescentes. Só faltam uns poucos de dedos para ser da minha altura e já consigo calçar os seus sapatos. Está cada vez mais rapazinho e menos menino. Não gosta de beijos mas gosta de abraços, quando lhe apetece. Está sempre a dizer-me "you're mean" e "I hate you", com cara de gozo e um sorriso travesso nos lábios, cada vez que o contrario. Eu sei que o que ele quer dizer é "I love you", mas isso é uma vergonha. Essas coisas, como os palavrões, não se dizem. Os palavrões, esses sim, são para dizer, cada vez mais a torto e a direito, seguidos de gritos e gargalhadas.
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
O mistério da passagem do tempo
Afinal fomos comprar os peixes hoje (não andam por aí os gajos da liga para a protecção dos peixes, não?), e nem sequer nos perguntaram nada, pelos vistos isto varia de loja para loja. De manhã medimos os níveis da água, e como estivesse tudo dentro do normal recomendável, achámos que não havia perigo para as criaturas. O Diogo ficou abismado com a quantidade de peixes que viu, e não sabia qual escolher; eu já tinha previsto uma cena assim, porque sempre que tem de escolher qualquer coisa, quanto mais variedade, pior. Com a ajuda de aqueles não pode ser porque são de água quente; aqueles também não porque são do mar, lá trouxémos um par de goldfishes dentro de um saco de plástico que abanava que se fartava ao meu colo com as lombas da estrada, por pouco chegavam cá prontos para a caldeirada. Agora parecem felizes e contentes dentro do novo habitat. Fiz um peixe de salame de chocolate e enfeitei-o com cobertura de chocolate, com um daqueles sacos pasteleiros, tudo de plástico, que se compra no supermercado. Dantes enfeitava muitos bolos mas era com uma seringa, muito mais profissional, pois, com esta porcaria, para além de ficar toda cagada, ainda fico à rasca das mãos, que aquilo tem de se apertar e torcer que é uma coisa parva. Tanto chocolate junto o melhor é acompanhar com uma tarte de maçã, uma coisa assim pouco doce para equilibrar. Acendemos as velas e cantámos os parabéns com os avós a espreitar-nos e a fazer coro, assim houve mais vozes e palmas no fim, que isto o skype faz maravilhas a quem está longe. Ando da cozinha para a sala e sinto as calças cair; já apertei o botão duas vezes, o que é um mistério, porque quando me olho ao espelho acho que estou mais gorda. Um mistério igual ao da passagem do tempo, o mesmo que me arregala os olhos no corpo do meu filho, tão grande que está, aquele mesmo corpo que saiu cá de dentro. Cá de dentro?
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
Who lives in a pineapple under the sea?
Um dia, já não me lembro há quanto tempo, teria o Diogo para aí uns 3 anos, fui dar com uma mosca morta fechada numa peça de lego. Fiquei histérica e ia desatar aos berros, quando me apercebi que quem estava aos berros era ele. Chorava baba e ranho e então reparei que, dentro da peça de lego, para além dos restos mortais da mosca, havia ainda uma espécie de papa, que eu a princípio pensei tratar-se apenas de porcaria, mas que agora, olhando melhor, via que, muito provavelmente, eram mantimentos. O gaiato estava, portanto, a alimentar a pobre da mosca. Depois da choradeira disse-me, ainda aos soluços, que queria um pet (assim numa vozinha muito sumida).
Ora amanhã, que faz 7 anos, vai receber finalmente o seu querido e adorado pet. Não, não é um moscardo, nem um aracnídeo, sem sequer um réptil. É um peixe, aliás, dois. E também não vai ser amanhã. É que hoje, quando fomos comprar os peixes, fomos informados que só os podemos colocar dentro de água depois de sete dias do aquário montado. Ainda tivémos de ouvir as bocas do David, you should learn about things first... O aquário já está montado, mas faltam os peixes. Só daqui a sete dias, pronto. Quando era pequena também tive um aquário e não me lembro destas mariquices. Enfim, o gaiato está contente, é o que interessa.
sexta-feira, julho 31, 2009
10 anos hoje
10 anos e parece que foi ontem. 10 anos e o tempo parece que correu, veloz, como um rio. Ou um vendaval. 10 anos e ele está tão grande que parece que tem mais um ou dois anos. 10 anos e às vezes ainda faz birras, e outras vezes diz coisas que me fazem abrir a boca de espanto. 10 anos e apesar de ter passado a correr, o tempo também se demorou nas esquinas e se deteve nos cantos e recantos de um corpo que já não é meu mas que me continua a caber inteiro dentro dos braços e já quase me alcançou em altura. 10 anos é muito tempo, mas esse tempo ainda me cabe inteiro nas mãos, enquanto o coração cada vez mais deseja partir a galope. 10 anos é tanto e tão pouco, e as dores do parto cada vez mais distantes. É isso crescer, deixar as dores para trás.
sábado, julho 11, 2009
Falar do tempo
Muita gente (e eu também um pouco, pelo menos até há cinco anos atrás) associa o falar sobre o tempo à falta de assunto. Quando não sabemos o que dizer, comentamos a meteorologia. Quando nos faltam as palavras, olhamos para o céu, e, graças a ele (aos céus) há sempre muitas nuvens, ou um sol radioso, ou ventos e brisas para nos trazerem resmas de palavras e ideias prontinhas a usar numa conversa casual. Para outras pessoas, falar sobre o tempo pode ser até divertido e prazeroso, uma forma de passar o tempo e ir prolongando as boas vindas numa agradável cavaqueira.
Eu, confesso, até vir para aqui considerava o comentar a chuva ou o vento que fazia uma forma de preencher silêncios que, às vezes, me enfastiava. Se não têm assunto porque não ficam as pessoas caladas?, costumava perguntar aos meus botões. Mas eu sempre fui assim, considero o silêncio uma virtude e não um defeito. Enfim. Quando vim para aqui tudo mudou. É que num país como este em que o estado do tempo é completamente imprevisível, falar sobre ele não revela simplesmente falta de assunto, pelo contrário: ele é o assunto principal, a maior parte das vezes. E sim, passamos uma boa parte das conversas a dissertar sobre ele, porque realmente ele nos transtorna a vida. Um dia de sol deixa de ser uma coisa secundária para se tornar em algo por que se anseia, uma espécie de benção, de milagre.
Se calhar estou a exagerar. Mas ver o verão de súbito interrompido por um outono carrancudo é das piores coisas que há, asseguro-vos. Principalmente hoje, quando completo 39 verões, e tenho lá fora um céu de chumbo. Assim meio esbranquiçado, mas ainda assim, chumbo, nem que seja pelo peso que me deixa em cima dos ombros.
(Também não sei se é de estar mais velha, mas falar sobre o tempo já não me parece um aborrecimento e uma futilidade como nos verdes anos, mas antes um sinal de aprazível harmonia com o mundo e sua expressão - porque de facto o tempo é algo que nos afecta muito mais do que imaginamos, e às vezes só damos por isso quando nos deparamos com uma infinita sucessão de céus cinzentos. E assim, acabamos a falar do vento, das nuvens, das chuvas e do sol, das tempestades e das neves, das estrelas e das comoções celestes para falarmos de nós e dos nossos mundos mais íntimos. É tudo uma questão de perspectiva, afinal).
domingo, junho 21, 2009
A minha sobrinha
A Katharina é minha sobrinha e faz hoje anos. É muito bonita (é claro que eu sou suspeita), de uma beleza sem ganchinhos, nem totós, nem trancinhas, nem unhas nem cara pintadas.
Uma vez, já não sei se no verão passado se no outro, estávamos, eu e os miúdos, no parque, e estava lá uma menina para aí da idade dela, com um desses estojos de maquilhagem que fazem as delícias das meninas. A miúda estava a pintar a cara com a cor nº 33 e os olhos com a nº 55, e a minha sobrinha olhava para ela com uns olhos que não enganavam de pura inveja. Eu então colei a minha boca ao ouvido dela e segredei-lhe: "Aquela miúda é mesmo vaidosa, não achas? Mas deixa lá, que tu és muito mais bonita que ela!" (Não disse isto só para lhe agradar, disse-o porque era mesmo verdade). A cara dela mudou de imediato. De olhos brilhantes e peito inchado que nem um balão, que até parecia que ia levantar voo, levantou-se e foi ter com os primos e com o irmão, que brincavam no baloiço. E, não se contendo, lá deu a novidade, em sussurros, mas que eu pude ouvir perfeitamente: "Olha, estás a ver aquela miúda ali? Ela é muito vaidosa mas eu sou mais bonita que ela, foi o que a Papu disse. E também não podemos dizer isso muito alto que é para ela não ouvir..." Pois, ouvi eu e toda a gente que ali estava, aposto. Ah! Ah!
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
Há qualquer coisa que nunca foi o que era ou outra maneira de contar o dia de anos
E ontem passámos a tarde num desses centros de lazer que fazem as delícias da criançada e os pesadelos de alguns adultos assim a atirar para o ansiogénico (como eu...), mais preocupados em discernir os perigos potenciais à vista do que em abancar e gozar o prato (mas abancar aonde, se aquilo estava a abarrotar pelas costuras, só no chão, no meio das nódoas da alcatifa, que nojo...), caramba, porque raio não consigo ser como os outros pais e as outras mães, para ali sentados no meio daquela confusão da música misturada com os berros histéricos da miudagem sem se preocuparem minimamente por não fazerem a mais pequena ideia de onde se encontram os rebentos naquele preciso momento e no meio de toda aquela balbúrdia, tudo a falar e aos gritinhos, o que tudo misturado dá uma boa de uma mesclagem de gritaria exclamativa e entusiasmada, mas que aos meus ouvidos, neuróticos como deus fez, soava como gritos de angústia e quiçá pedidos de ajuda, socorro, mãezinha, que estou a ser atacado por selvagens! (selvagens? Mas onde é que nos fomos enfiar? na selva?)
Pois olhem que eu prefiro a selva. Não sei se por ser campónia, parola, ou por ter passado tempo de mais na província, de férias, sempre fora de portas (quando o tempo o permitia) que não suporto esta ideia das brincadeiras dentro de portas. E o barulho e a confusão, meu deus! Os miúdos divertem-se que nem uns doidos, é certo. E adoram. E era vê-los no meio daquela confusão, aquela gaiola gigante que a mim me fazia lembrar algumas jaulas de macacos no jardim-zoológico (juro!), uma espécie de castelo com vários andares assentes em sucessivas plataformas por onde eles vão subindo e descendo e embrenhando-se por compartimentos cheios de bolas onde se lhes afundam os pés e outras coisas que tais como escorregas e coisas penduradas para eles agarrarem ou para lhes dificultar a passagem e ainda ser tudo mais divertido... É claro que toda esta parafernália não oferece o mínimo de risco em relação a pancadas na cabeça ou outras partes do corpo: é tudo almofadado, tudo de plástico, materiais moles, um must em termos segurança infantil; pois está mais que evidente que a neurótica aqui sou eu, que devia era deixar-me de merdas e implorar ao GP uma prescrição de qualquer pílula milagrosa que desfaça estes achaques de angústia aguda em pedaços, antes que dê em doida de vez. Pois que fico para ali a olhar as criaturas com mal disfarçado nervosismo, a pensar que não as posso perder de vista (e se se perdem?), o que se revela impossível dada a quantidade de miúdos e a profusão de compartimentos e esconderijos daquele maldito castelo; enquanto respiro de alívio por aquela geringonça só ter um acesso de saída e de entrada, ao menos assim não podem sair dali sem eu ver; e ao mesmo tempo penso na hipótese macabra de uma evacuação forçada, meu deus, se acontece alguma coisa (tipo um terramoto ou uma erupção vulcânica; pronto, um simples incêndio, vá lá) e é preciso evacuar a sala; como é que vai ser possível, meu deus, se aquilo é um autèntico labirinto em vários andares, completamente fechado com redes, e só com um acesso de saída e de entrada, cheio de miúdos aos gritos e aos pulos e a empurrarem-se uns aos outros que para falarmos com quem está ao nosso lado temos de gritar?
Decididamente, não sou mãe para estas coisas. Sou mãe para correrias na relva, saltos dos escorregas, esconder atrás das árvores, saltar por cima dos muros (assim daqueles baixinhos!), e até partir a cabeça, pronto, desde que seja numa pedra. Aspirar o ar livre, ouvir os seus gritos e poder vê-los a alguma distância, ter o canto dos pássaros como barulho de fundo e sem outra coisa por cima da cabeça a não ser o céu. Até pode chover um bocadinho, e haver lama debaixo das botas, que não é isso que me faz voltar a correr para casa. Mas obrigo-os a escovar bem os pés no tapete, à porta de casa.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
6 anos

O tempo voa, o tempo corre, o tempo dança
e a gente envelhece.
A gente não esquece aqueles momentos
aqueles únicos que teimamos em guardar
mas que nos fogem das mãos
em asas ansiosas de liberdade.
Liberdade.
Será que passámos a ter medo dela?
Como foi possível?
Não, apenas estamos mais velhos.
Talvez mais patéticos.
Mais autênticos, no fundo.
Menos produzidos.
Mais descabelados, mais gordos, mais flácidos.
Mais pés na terra?
Também não. Ainda não desistimos de voar.
Eu, pelo menos.
Não quero que andes para trás, ó tempo.
Quero que voes. E me leves contigo.
(devia antes dizer a gente cresce em vez de a gente envelhece.
É que, por mais que olhe para o espelho, não me vejo envelhecer. Às vezes, acho que ainda encontro o mesmo rosto de há trinta anos atrás. Com algumas diferenças, é certo, mas o mesmo)
sábado, novembro 29, 2008
Um século

Há exactamente 100 aos atrás, nasceu o meu avô.
Apesar de já não podermos usufruir da sua companhia (da sua presença física) desconfio que ele nunca se afasta muito de nós. Eu, pelo menos, sinto-o vivo, muitas vezes, a meu lado.
Hoje os filhos, os netos e os bisnetos vão juntar-se todos (nós também vamos lá estar, hein?) num almoço de comemoração.
A bem dizer, vamos antes andar a passear pelas ruas da cidade mais próxima. Uma procissão de lanternas. As lanternas foram feitas pelos miúdos na escola. Acho que vai ser giro, apesar do céu cinzento.
Muitos beijos.
sábado, novembro 08, 2008
Querida mãezinha
hoje é a tua vez.
Que posso dizer?
Que eras o meu mundo, o meu sol de criança?
Lembras-te daquele dia em que foste à entrevista para a Faculdade?
Eu não me lembro; só me lembro de um lago de águas escuras e peixes vermelhos. Muitos peixes vermelhos. Do resto, não me lembro. Apenas posso recordar o que me foi contado:
Quando dei pela tua falta, começaram as perguntas:
- A mãe?
- E ondi tá a mãe?
- E ondi foi a mãe?
Ao que o pai me tentava distrair, desviando-me a atenção para os peixinhos no lago, os passarinhos nas árvores, as flores nos canteiros, talvez até as nuvens no céu.
E eu, perante tamanha ignorância das minhas perguntas, terei desabafado, com a voz trémula:
- Então e agora fico xem mãe?
E depois, lembro-me das gargalhadas que sempre acompanhavam o fim desta história. Repetida vezes sem conta.
Esta história ilustra bem o lugar que ocupavas no meu mundo de criança. Sem ti, o mundo esfumava-se. Não havia peixes no lago, nem folhas nas árvores, nem canto de pássaros, nem céu, nem mar.
As palavras são pobres. Aliás, as palavras não são nada.
Quando não há palavras, é porque os sentimentos são maiores que elas. É porque elas são pequenas, muito pequeninas, ao pé da emoção que transportam.
E eu, eu não tenho palavras.
Muitos parabéns, querida mãe. E lembra-te que a vida acabou de começar. A vida começa todos os dias. Se nós quisermos.
Que tenhas um dia muito feliz, rodeada de todos os que te são queridos. Como eu te disse ontem ao telefone, só faltamos nós aí.
Mas não. Olha lá bem; não consegues ver-nos?
Muitos, muitos beijos para ti e para o pai.
...
Hoje faz anos também o meu sogro. Feliz coincidência :-)
Muitos parabéns também para ele, de nós quatro.
...
Aliás, os aniversários ainda mal começaram, não é, família?
Que posso dizer?
Que eras o meu mundo, o meu sol de criança?
Lembras-te daquele dia em que foste à entrevista para a Faculdade?
Eu não me lembro; só me lembro de um lago de águas escuras e peixes vermelhos. Muitos peixes vermelhos. Do resto, não me lembro. Apenas posso recordar o que me foi contado:
Quando dei pela tua falta, começaram as perguntas:
- A mãe?
- E ondi tá a mãe?
- E ondi foi a mãe?
Ao que o pai me tentava distrair, desviando-me a atenção para os peixinhos no lago, os passarinhos nas árvores, as flores nos canteiros, talvez até as nuvens no céu.
E eu, perante tamanha ignorância das minhas perguntas, terei desabafado, com a voz trémula:
- Então e agora fico xem mãe?
E depois, lembro-me das gargalhadas que sempre acompanhavam o fim desta história. Repetida vezes sem conta.
Esta história ilustra bem o lugar que ocupavas no meu mundo de criança. Sem ti, o mundo esfumava-se. Não havia peixes no lago, nem folhas nas árvores, nem canto de pássaros, nem céu, nem mar.
As palavras são pobres. Aliás, as palavras não são nada.
Quando não há palavras, é porque os sentimentos são maiores que elas. É porque elas são pequenas, muito pequeninas, ao pé da emoção que transportam.
E eu, eu não tenho palavras.
Muitos parabéns, querida mãe. E lembra-te que a vida acabou de começar. A vida começa todos os dias. Se nós quisermos.
Que tenhas um dia muito feliz, rodeada de todos os que te são queridos. Como eu te disse ontem ao telefone, só faltamos nós aí.
Mas não. Olha lá bem; não consegues ver-nos?
Muitos, muitos beijos para ti e para o pai.
...
Hoje faz anos também o meu sogro. Feliz coincidência :-)
Muitos parabéns também para ele, de nós quatro.
...
Aliás, os aniversários ainda mal começaram, não é, família?
quinta-feira, novembro 06, 2008
Parabéns, paizé!
69 anos faz hoje o meu pai. Nos anos longínquos da minha infância chamava-lhe paizé, assim, uma só palavra, que era como os meus ouvidos entendiam e como eu acreditava ser o nome dele.
Quando éramos pequenos, eu e o meu irmão, adorávamos desenhar com as canetas dele. As canetas eram sempre de boas marcas, escreviam muito bem, e faziam as nossas delícias. Mas é claro que nem sempre tinhamos acesso àquelas maravilhas, nem a todas as que cobiçávamos, pois como eram o seu instrumento de trabalho, ele tentava mantê-las fora do alcance das nossas mãos traquinas.
Lembro-me de uma vez, devia ser o segundo ou o terceiro dia de escola no Colégio Moderno, para aí com uns 4 anos, ter ficado a chorar porque não queria ficar na sala. Então ele deu-me uma das suas preciosas canetas e disse-me que era para eu fazer os desenhos. Ao que me lembro calei-me e fiquei toda orgulhosa com a minha prenda na mão. Fiz alguns desenhos com aquela caneta e lembro-me do interesse das outras crianças por ela, acho que perceberam que era um objecto especial, de modo que todos queriam desenhar com ela e eu lá tive de a partilhar, um pouco contra a vontade.
E, acreditem ou não, aquela caneta fez-me companhia durante o resto do dia.
Parabéns, Paizé!
(escrevi isto há 3 anos, numa altura em que vocês ainda não andavam por aqui. Resolvi, por isso, republicá-lo hoje. Beijinhos!)
Quando éramos pequenos, eu e o meu irmão, adorávamos desenhar com as canetas dele. As canetas eram sempre de boas marcas, escreviam muito bem, e faziam as nossas delícias. Mas é claro que nem sempre tinhamos acesso àquelas maravilhas, nem a todas as que cobiçávamos, pois como eram o seu instrumento de trabalho, ele tentava mantê-las fora do alcance das nossas mãos traquinas.
Lembro-me de uma vez, devia ser o segundo ou o terceiro dia de escola no Colégio Moderno, para aí com uns 4 anos, ter ficado a chorar porque não queria ficar na sala. Então ele deu-me uma das suas preciosas canetas e disse-me que era para eu fazer os desenhos. Ao que me lembro calei-me e fiquei toda orgulhosa com a minha prenda na mão. Fiz alguns desenhos com aquela caneta e lembro-me do interesse das outras crianças por ela, acho que perceberam que era um objecto especial, de modo que todos queriam desenhar com ela e eu lá tive de a partilhar, um pouco contra a vontade.
E, acreditem ou não, aquela caneta fez-me companhia durante o resto do dia.
Parabéns, Paizé!
(escrevi isto há 3 anos, numa altura em que vocês ainda não andavam por aqui. Resolvi, por isso, republicá-lo hoje. Beijinhos!)
sexta-feira, julho 11, 2008
Era um bocadinho de calor, sff
Durante 34 anos, passei este dia com muito sol e muito calor. Demasiado calor, até. Lembro-me da casa cheia de gente e das janelas abertas a trazerem um vento morno para os ombros e os rostos suados. Lembro-me de me deitar na cama, no silêncio da noite, depois do rebuliço, e de sentir os lençóis a queimarem-me os braços e as pernas. Bom. Este é o quarto aniversário que aqui passo, e ainda não houve um único que não fosse brindado com chuva e nuvens cinzentas. Ao menos hoje o sol rasga as nuvens e há mais azul do que cinzento no céu. Sun spells, como eles dizem. E viva o sol :)
E entretanto já caiu um dilúvio.
E entretanto já caiu um dilúvio.
domingo, fevereiro 24, 2008
A festa
foi animada.
Um bando de gaiatos dentro do quarto, em frenética actividade.
No fim do dia só se viam papéis no chão e outras coisas menos próprias (gomas pisadas, bocados de chupa-chupa peganhentos, ui!)
Mas a festa não é deles? Aqui há uma mania parva de não deixar as crianças ir para o quarto no dia da festa. Entretêm-se na sala com uns joguinhos, e depois como as festas de anos só duram duas horas (a sério!) não há tempo para grandes coisas.
Mas a festa não é deles? Eu lembro-me das minhas festas de anos, do reboliço em que ficava o meu quarto. Qual é a graça de ter os amigos em casa e não desarrumar o quarto?
Bom, a nossa festa durou duas horas e meia (menos mal). É verdade, lentamente, estamos a imiscuir-nos nos hábitos locais.
Mas pelo menos tiveram direito a desarrumar o quarto!
Também fizemos o jogo do pacote. Então é assim: embrulha-se um chupa-chupa ou outra coisa doce. Depois faz-se outro embrulho por cima e põe-se um saquinho de gomas. Depois outro e um saquinho de smaries. E por aí adiante.
Depois a miudagem senta-se em círculo, e põe-se a música a tocar. Eles vão passando o pacote de mão em mão, e quando a música pára... quem tiver o pactote na mão desembrulha-o e fica com o brinde. E continua-se até o pacote estar todo desembrulhado e acabarem-se os doces.
Muito giro, não é? Pois... também há o jogo da estátua, esse não fizemos.
Cantámos os parabéns em português e em inglês, para admiração dos nativos... e eu parti o bolo, que era a cabeça do Scooby Doo, um bolo daqueles de plástico que eles aqui fazem, e dei uma fatia a cada um. Alguns deles pediram-me para as guardar nos saquinhos... É outro hábito local deveras interessante: pensam que eles perdem tempo a confraternizar enquanto comem o bolo? Que nada! Depois de apagar as velas, o bolo é cortado e cada fatia é posta dentro daqueles saquinhos que eles levam para casa. Como aqui os bolos são todos peganhentos e cheios de creme, eles embrulham aquilo num guardanapo, e depois quando se vai comer está mesmo apetitoso, como podem imaginar...
Eu, por acaso, no fim da festa andei a distribuir fatias de bolo de iogurte (sem creme) pelos sacos, não porque ache graça a isto, mas a ver se consigo que esta gente aprecie um bolinho de jeito... feito por mim, claro está!
A gaiatagem divertiu-se. As mães que vieram também. O Diogo delirou. O pai ficou um bocado esmurrado, coitado (em vez de dois, tinha pelo menos seis ou sete fedelhos em batalha desenfreada!) Eheheh...
Um bando de gaiatos dentro do quarto, em frenética actividade.
No fim do dia só se viam papéis no chão e outras coisas menos próprias (gomas pisadas, bocados de chupa-chupa peganhentos, ui!)
Mas a festa não é deles? Aqui há uma mania parva de não deixar as crianças ir para o quarto no dia da festa. Entretêm-se na sala com uns joguinhos, e depois como as festas de anos só duram duas horas (a sério!) não há tempo para grandes coisas.
Mas a festa não é deles? Eu lembro-me das minhas festas de anos, do reboliço em que ficava o meu quarto. Qual é a graça de ter os amigos em casa e não desarrumar o quarto?
Bom, a nossa festa durou duas horas e meia (menos mal). É verdade, lentamente, estamos a imiscuir-nos nos hábitos locais.
Mas pelo menos tiveram direito a desarrumar o quarto!
Também fizemos o jogo do pacote. Então é assim: embrulha-se um chupa-chupa ou outra coisa doce. Depois faz-se outro embrulho por cima e põe-se um saquinho de gomas. Depois outro e um saquinho de smaries. E por aí adiante.
Depois a miudagem senta-se em círculo, e põe-se a música a tocar. Eles vão passando o pacote de mão em mão, e quando a música pára... quem tiver o pactote na mão desembrulha-o e fica com o brinde. E continua-se até o pacote estar todo desembrulhado e acabarem-se os doces.
Muito giro, não é? Pois... também há o jogo da estátua, esse não fizemos.
Cantámos os parabéns em português e em inglês, para admiração dos nativos... e eu parti o bolo, que era a cabeça do Scooby Doo, um bolo daqueles de plástico que eles aqui fazem, e dei uma fatia a cada um. Alguns deles pediram-me para as guardar nos saquinhos... É outro hábito local deveras interessante: pensam que eles perdem tempo a confraternizar enquanto comem o bolo? Que nada! Depois de apagar as velas, o bolo é cortado e cada fatia é posta dentro daqueles saquinhos que eles levam para casa. Como aqui os bolos são todos peganhentos e cheios de creme, eles embrulham aquilo num guardanapo, e depois quando se vai comer está mesmo apetitoso, como podem imaginar...
Eu, por acaso, no fim da festa andei a distribuir fatias de bolo de iogurte (sem creme) pelos sacos, não porque ache graça a isto, mas a ver se consigo que esta gente aprecie um bolinho de jeito... feito por mim, claro está!
A gaiatagem divertiu-se. As mães que vieram também. O Diogo delirou. O pai ficou um bocado esmurrado, coitado (em vez de dois, tinha pelo menos seis ou sete fedelhos em batalha desenfreada!) Eheheh...
terça-feira, fevereiro 19, 2008
Muitos parabéns, meu amor!
Estás tão crescido. Estás enorme. Estás respondão. Mandrião. E muito meigo. Muito mimoso, também. Fazes tantas birras... Consegues levar-me a mostarda ao nariz facilmente. Ora é porque demoras séculos para comer, ora é porque são horas de ir para a cama e a cena repete-se todos os dias, e todos os dias também tens medo de ficar sem mim no quarto, e lá me estendo eu na cama, ao teu lado... Ultimamente, quando já estou à beira do esgotamento, páro e penso que já estás com cinco anos. Que depois serão seis, sete, oito, nove... enfim, que esta fase vai passar, mais depressa do que eu imagino, e que um dia a vou recordar com saudade. Então, quero lá saber!, deito-me ao teu lado e embalo-te como se fosses ainda bebé (embalo-te com a minha voz e as minhas mãos em carícias no teu corpo, que já não me cabes nos braços há muito tempo!) Lembro-me dos meus próprios medos e penso que um dia são estes momentos que vão ficar, aqueles em que te ajudei a vencê-los, aqueles em que, com as minhas mãos, te mostrei a força das tuas. Há cinco anos atrás estava eu já cheia de dores, mas ainda assim calma, com a certeza de que te iria ver muito, muito proximamente. Quando saíste de mim e te puseram em cima da minha barriga, o tempo parou. Parou, e nunca mais foi o mesmo.
Estás tão crescido. Já sabes contar, em inglês e em português. Já quase que sabes ler. Já brincas no recreio dos grandes. Tens tantos amigos, por ti convidavas a sala inteira para a tua festinha. E estás tão feliz por fazeres anos! Sentes que estás a crescer, que vais ficar grande como o David, mal podes esperar!
sábado, setembro 01, 2007
terça-feira, julho 31, 2007
8 anos do David
Não sei se amanhã vou conseguir ligar-me à net, de maneira que vou fazer a coisa adiantada... Isto é, não vou escrever o que gostaria de escrever, pois com este calor e algumas melgas a chatearem-me não consigo, nem vou postar nenhuma fotografia do meu rapagão porque não tenho nenhuma aqui. Vou só dizer que ele está enorme, respondão, malandro, engraçado, responsável, crescido, mandrião e mimado qb... Agora o seu maior desejo é ficar crescido o suficiente para poder andar na rua sozinho, de vez em quando lá se põe a divagar: "e mãe, e quando eu já tiver para aí... 9 ou 10, depois já posso ir a casa do T. e ao parque sozinho, não é? E depois vou com o Diogo..." "Mas o Diogo ainda vai ser pequeno, só se tomares conta dele!", respondo-lhe eu. Ou então: "Com quantos anos é que vou poder ir ao parque sozinho?", ao que eu respondo: "Não sei, filho, isso depende de tu teres juízo e saberes andar sozinho na rua..."
Enfim, a pressa de crescer é muita!
(isto foi escrito a 30 de Julho)
Enfim, a pressa de crescer é muita!
(isto foi escrito a 30 de Julho)
quarta-feira, julho 11, 2007
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