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domingo, dezembro 12, 2010

The curious case of Benjamin Button

"For what it's worth: it's never too late or, in my case, too early to be whoever you want to be. There's no time limit; start whenever you want. You can change or stay the same; there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. And I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people with a different point of view. I hope you live a life you're proud of.  And if you find that you're not, I hope you have the strength to start all over again."

"Happy birthday. I wish I could have kissed you goodnight."
"I wish I could have taken you to your first day at school."
"I wish I could have been there to teach you to play the piano."
"I wish I could have told you not to chase some boy. I wish I could have held you when you had a broken heart. I wish I could have been your father. Nothing I ever did will replace that."









quinta-feira, outubro 28, 2010

Perversão ao tempo






















O ponteiro dos segundos, preguiçoso, começou a hesitar. Parecia atrapalhar-se com os próprios passos, perder o equilíbrio. Nos primeiros trinta segundos, a descer, ainda a coisa ia; depois é que eram elas. Ficava ali, teimoso, a querer avançar, mas alguma coisa, alguma irreverência, o puxava para trás. E recuava. Dois, três passos para trás, outros tantos para a frente; poucos, daí a nada estava outra vez naquele saltitar inconstante, sem saber se vai se fica. Resultado: as horas alargaram. Cabiam lá dentro mais minutos que o estipulado. O tempo parecia brincar com o tempo. Como se descobrisse, incrédulo, um novo propósito, que não o de passar, andar para a frente.

Uns dias depois o relógio, finalmente, parou. Tinha-se acabado o tempo das incertezas.

Este incidente fez-me lembrar do filme belíssimo intitulado "The curious case of Benjamim Button". Nele também há um relógio que perverte a lei do tempo. Com consequências tão imprevisíveis quanto fantásticas. E assistimos assim à viagem deste homem em sentido contrário, incrédulos e emicionados, ao revermo-nos em tantas verdades simples e dúvidas existenciais, no fundo iguaizinhas às dos comuns dos mortais. E mais nos convencemos de que ele, o tempo, é um mistério sem remédio.

quarta-feira, abril 14, 2010

O deus das moscas

Uma ilha, um grupo de meninos que sobrevive a um acidente. Uma escalada de violência que termina com a morte de duas das crianças e com a perseguição assassina a um terceiro que só acaba porque surge inesperada a presença de um adulto, um homem fardado de camuflado, de metralhadora em punho, e atrás dele uma coluna militar em pleno treino marcial. O homem fita o rapaz que se desfaz em lágrimas aos seus pés, enquanto olha estupefacto o bando de rapazes quase nús e com as caras pintadas, empunhando lanças primitivas e com a surpresa a tomar conta do olhar carregado de ódio, e no meio da sua estupefacção só tem voz para perguntar, "What the hell is going on?" Na mão, porém, também ele segura algo que serve para matar. Ele é o retrato daqueles meninos - outra idade, outro contexto - a mesma realidade. O horror que se passou naquela ilha é mesmo que se passa no resto do mundo - e aqueles homens fardados são uns dos principais actores neste teatro de guerra.

O tormento para aquele rapaz termina naquele instante, mas o da humanidade continua. Nós somos esta humanidade, que gasta milhões a armar e a treinar exércitos e forças especiais de ataque à vida humana. A guerra é uma indústria, talvez a mais rentável da actualidade. As armas circulam impunemente, os exércitos proliferam, as guerras estalam e as bombas rebentam à nossa volta. E nós só nos apercebemos disso quando rebentam mesmo à nossa porta.

Este filme mostra-nos uma face macabra da realidade, e faz-nos olhar para o fundo, para a nossa infância, para os nossos ódios, para as situações extremas que podem despoletar a agressividade latente. Porque o que acontece com aquelas crianças é o que acontece há séculos com a humanidade. Perdemos a capacidade de sentir compaixão pela vida humana, pelo sofrimento do outro, e quando confrontados com situações extremas que despertam a fraqueza e o desamparo reagimos com ódio contra aqueles que sofrem e choram à nossa frente. Foi isto que permitiu e permite que homens torturem e matem outros homens impunemente, sem sentir remorsos e sem culpabilidade pelos seus actos. Arno Gruen fala disso na sua trilogia de livros A Loucura da Normalidade, A Traição do Eu e Falsos Deuses.

O facto de tudo isto se passar com crianças deixa-nos a pensar. Estamos habituados a olhar a infância como a morada da ternura, do carinho, do amor. As crianças são puras e inocentes, e com um sentido de justiça apurado. No entanto esta noção da infância é recente no tempo. O modo de olharmos as crianças tem evoluído, e a preocupação com os seus sentimentos e o seu mundo emocional surgiu há pouco tempo na nossa história. As crianças não são anjos nem demónios, são simplesmente humanas. Também odeiam e desprezam e sentem raiva como qualquer um de nós. Todos nós temos a capacidade de amar e odiar. O que pode levar, contudo, a que não sintamos qualquer compaixão perante alguém que sofre? A capacidade de nos colocarmos no lugar do outro - a empatia - é o que nos abre a porta para os sentimentos dos outros e para os nossos. Todavia, não nasce connosco. Conquista-se, aprende-se, desenvolve-se, pratica-se. Pela vida fora. Desde tenra idade

O Deus das Moscas é um Deus desligado da vida e do coração, um Deus sem alma, um Deus cego para os sentimentos e para as lágrimas, que continua a voar à volta do cadáver estendido na praia, indiferente à cor do sangue que leva a vida consigo em direcção ao mar. É o Deus que chafurda na lama e no esgoto da nossa existência, que se alimenta da nossa carne morta e putrefacta. O Deus das Moscas habita em todos nós, naquele lugar deserto e sombrio da alma onde fomos abandonados com todo o sofrimento, e todas as lágrimas nas mãos para chorar. No quarto escuro onde só tínhamos por companhia os medos mais horríveis. Nas horas em que o ódio nos envenenou o sangue e o calor nas veias. Em todos os lugares de desespero em que desejámos tanto que alguém nos viesse enxugar as lágrimas e apenas tivémos o silêncio de chumbo da ausência gelada. É muito fácil deixarmo-nos tomar pelo ódio, quando a dor que alastra no peito é tão grande que só disparando-a para fora, aos tiros de revolta, se consegue algum alívio. E mais fácil ainda transformar o ódio numa arma mortífera.

E aqui estamos, como um enxame de moscas varejeiras, a venerar Deuses da Guerra, a armar e a treinar exércitos, a permitir que se gastem milhões em parafernálias bélicas destinadas a matar e a arrasar cidades e nações inteiras, se for caso disso. Curvamo-nos perante o Deus da Morte que nos salvará dos nossos inimigos, outros homens e mulheres como nós. Viramos a cara ao sofrimento e ao desespero de milhares de seres humanos vítimas da guerra, desde que não sejamos nós, desde que não seja no nosso país, desde que não seja à nossa porta. Fechamos os olhos à dor e os ouvidos ao estalar das bombas. E continuamos na nossa vida de todos os dias, a correr em todas as direcções, sempre apressados, sempre sem tempo, sem sentido, sem nada. Como as moscas idiotas que esvoaçam à nossa volta.

(revisto e republicado por causa disto)

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Criminal minds

"Fairy tales don't tell children the dragons exist. Children know the dragons exist. Fairy tales tell children the dragons can be killed."

quinta-feira, novembro 05, 2009

Não percam



este documentário. E não, não se deixem iludir pelo facto de existir um oceano entre a Europa e os Estados Unidos. E depois, enfureçam-se, criem grupos no face-book, gritem, façam alguma coisa em concreto. Sozinhos não podemos mudar o mundo, pois não. Mas todos juntos, talvez (ou muitos. Ou alguns. Não importa. O que importa é que fiquemos com vontade de mudar alguma coisa).

sábado, abril 11, 2009

Beijos

No meu tempo, nós, as criancinhas, só víamos beijos molhados nas telenovelas. Se calhar era por isso que não perdíamos a telenovela. 
Hoje eles vêem a Sammy e o Freddy beijarem-se no ecrã, uns putos apenas um pouco mais velhos que eles.

quinta-feira, março 26, 2009

Filmes


Ando a fazer pesquisa sobre o 25 de Abril e deparei com o filme Os Capitães de Abril no youtube. Não fazia a mínima ideia que era possível visualizar o filme na íntegra, apesar de ser às prestações. Como não cheguei a vê-lo nem no cinema nem na TV, caiu que nem ginjas. Parti o coco a rir com os gajos a despirem-se no carro e a desatinarem com os gays do lado de fora do carro, com a revolução a parar no sinal vermelho e outras cenas hilariantes. Há momentos grandiosos, como quando as tropas do regime se juntam a Salgueiro Maia. E toda aquela confusão nas ruas, aquilo deve ter sido mesmo assim. Não acho que o filme esteja um espectáculo, mas gostei.
Mas o melhor de tudo foi ouvir a voz do Carraca na boca do Tenente Lobão. Também aparece lá no bar do RCP mas meio desfocado, nem dá para ver que é ele. É uma pena não o terem posto a desempenhar o papel na íntegra; um lamentável erro de casting, na minha opinião. É bem mais giro que o outro.

Um beijo para ti, ó Pedro :-)


quinta-feira, março 05, 2009

Grey's Anatomy

Dou graças a todos os santinhos nunca ter visto nenhum episódio antes de ter sido operada.
Fora isso, quando não é tétrico, aquilo é hilariante.

terça-feira, setembro 09, 2008

"Yesterday is history, tomorrow is mistery and today is a gift. That's why it is called present."