sexta-feira, junho 30, 2006

NÃO

ainda não sonho em inglês, mas pouco falta. Às vezes dou por mim a dizer "shit" em vez de merda (sempre baixinho, muito baixinho...), outras vezes também me sai o "my God!". Mas o mais curioso são as interjeições. Nós temos sons abertos, tipo "áh, óh, éh, ão", eles soltam aqueles "âuuus, ôôh, êi", e eu, às vezes, dou por mim também a arredondar a boca e a fazer coro.

Sometimes, I speak to myself in english. Others, I find myself thinking in english. Actually, there is no real difference between both. It's just about let the thoughts running and come over. It's easier than speaking. I wish I could speak as the same speed as thinking. When I'm tired, like today, after two hours and a half in exams, I just can't find the right words. Sometimes some portuguese words come up and it's really funny! Anyway, I've always been better in writing than speaking, even in my own language, so it is not unusual at all. And I think I'm improving, which is building up my confidence. So, we can say that everything is all right.

Mas do que gosto mais é da cumplicidade que se gera quando se encontram pessoas que falam a mesma língua que nós. Fala-se alto, ri-se de coisas parvas, podem-se fazer comentários sobre quem está ao nosso lado, sem que mais ninguém entenda. Bem, isto pode ser perigoso. Um dia, já há algum tempo, estava no supermercado e de repente comecei a ouvir falar português. Foi estranho, porque quando estamos num sítio onde não estamos à espera de ouvir a nossa língua, é mais difícil para o ouvido sintonizar e entender logo que língua está a ouvir. Demora sempre algum tempo. Comecei a ouvir umas palavras vagamente familiares, e de súbito pensei, mas isto é português! Eram dois homens, na casa dos quarenta. Falavam alto e à vontade, na certeza de não estarem a ser compreendidos por ninguém. Era uma daquelas conversas só de homens, não sei se estão a ver, interditas a menor de 18 e impróprias para ouvidos mais púdicos. Eu ri-me para dentro, tive uma vontade enorme de me chegar perto deles e segredar-lhes qualquer coisa como isto: vocês não deviam falar tão alto. Já pensaram se essa velhota aí ao lado sabe falar português? Nunca fiando!

Mas não tive lata.

2 comentários:

Mãe do Outro Mundo disse...

Como eu te entendo. Trabalho nas 2 línguas todo o dia. Já me aconteceu pegar num texto para traduzir para dar a um inglês e só quando começo é que percebo que já está em inglês. Ler, pensar e escrever em qualquer das línguas é igual.

Mónica disse...

excelente!!!
essa sensação de lingua pouco conhecida é tão boa! estou arrependida de não ter aprendido nenhuma lingua de moç., terra onde nasci, fazia cá um figurão!!!!