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quinta-feira, janeiro 29, 2009
Velhos (e novos) tempos
Ultimamente, tudo me dá vontade de rir. Tenho a sensação de que voltei atrás no tempo, até aos dias da minha adolescência já um pouco longínqua. O silêncio abafado de corpos quase nus na sauna, aquela presença dos corpos a roçar a intimidade. Eu a olhar para o vazio e a tentar silenciar o diabinho do riso a fazer-me cócegas nas costelas. Quintas feiras, nove e quarenta e cinco. O novo formador do curso é um sujeito baixinho e um pouco empertigado, com um olhar acinzentado que por vezes se tinge de um azul gélido. Tem uma forma estranha de olhar. Incomoda-me um pouco. Tem uns poucos de cabelos brancos escorridos e uma careca proeminente. A cara é ossuda, cheia de ângulos agudos. O nariz projecta-se em frente, ligeiramente curvado para baixo, como se fitasse o chão. Está sempre a agarrar o cinto das calças como se temesse que elas caíssem, ou talvez, como se se quisesse certificar de que ainda as traz vestidas. Tem uma presença ao mesmo tempo séria e desconcertantemente cómica. Oscila entre um orador compenetrado e uma espécie de palhaço no circo. Palhaço talvez seja forte de mais, não sei. Diz as coisas mais extravagantes sempre com o mesmo sorriso nos lábios. Hoje, enquanto esfregava as costas de uma cadeira, dizia algo como: "Que coisa maravilhosa é o tacto! Experimentem, toquem nas coisas, sintam as diferentes texturas! Não é fantástico?" Depois olha para nós com aquele olhar penetrante, como se nos quisesse vislumbrar os interstícios. E eu recuo ao meu tempo de estudante, quando soltávamos risinhos abafados nas costas dos professores, com aquele nervoso miudinho e as gargalhadas entaladas na garganta, porque não nos podíamos rir à vontade. E não sou só eu, ao que parece. Hoje houve várias gargalhadas histéricas a explodir no ar. Algumas colegas minhas atribuem esta faceta ao facto de ele ser um counsellor, ou seja, um psicoterapeuta. O estereótipo do psi maluco, pois, em grande. E eu aqui rio para dentro, e pergunto-me como será que me vêem a mim. Mas caramba, não sou assim tão esquisita, acho.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Language disabled
Ora bem, tenho que reflectir sobre a consciência de mim própria (self-awareness); alguma coisa nova que tenha descoberto, sobre mim, durante estes poucos meses de curso. Depois, reflectir sobre de que maneira essa minha característica poderá ajudar-me no papel de terapeuta. Entretanto, tenho que reflectir também (ai jesus, tanta reflexão) sobre o modo como as amizades (ou as possíveis amizades) que estamos a desenvolver com os colegas podem afectar os papéis de terapeuta e cliente, que temos vindo a explorar em role-play. Ou melhor, como é que a partilha de algumas emoções e problemas está a interferir (ou a reflectir-se, ou a condicionar, ou a promover e facilitar, ou a obstruir e dificultar, etc) a amizade nascente, ou simplesmente a relação de cortesia que existe entre cada um de nós. E vice-versa.
Pois, isto tudo em inglês, ainda por cima. Mas, o que é curioso, é que o que mais me custou foi traduzir todas estas ideias para português, ao escrever este post. Não encontro as palavras em inglês, e ao que parece começo a sentir o mesmo com o português. Aiaiaiai
Pois, isto tudo em inglês, ainda por cima. Mas, o que é curioso, é que o que mais me custou foi traduzir todas estas ideias para português, ao escrever este post. Não encontro as palavras em inglês, e ao que parece começo a sentir o mesmo com o português. Aiaiaiai
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