sexta-feira, dezembro 24, 2010
No santa
domingo, dezembro 12, 2010
Cala-te
Pelo amor de Deus, escreve sobre outra coisa qualquer que já não te posso ouvir sempre na mesma conversa. Sei lá sobre quê! Olha, sobre os miúdos, há quanto tempo é que não falas dos miúdos? De como o mais velho parece crescer todos os dias, de como vai bem na escola e faz os trabalhos todos sozinho, que tu as mais das vezes nem sabes o que anda ele a estudar, e de vez em quando lá te lembras de lhe ir espreitar os cadernos, e ficas parva com a quantidade de coisas que ele anda a aprender, e perguntas-te como pode ser possível que não lhe note nehuma ansiedade, afinal a mudança foi tão grande, e ele sempre foi um pouco avesso às mudanças, pelo menos era assim, e se agora já não é isso só pode querer dizer que também ele mudou, está mais crescido, mais confiante, e tu ficas toda orgulhosa, não mintas, porque sabes que toda essa auto-confiança não nasce de geração espontânea, pois não, e há muito de ti, sim, muitos dos teus dias e das tuas noites e dos teus braços e das tuas mãos e da tua cabeça também, pois claro, muito, muito que deste e que deixaste de ser e que até te esqueceste de pesar, apenas entregaste sem pensar, porque é assim, muito de ti que agora é dele. Escreve sobre o mais novo, sobre a peça de teatro da escola, sobre a emoção de o ver no palco a dançar e a cantar com a turma, não só a ele mas a todos os outros miúdos, tu até já sabes porque já assististe a tantas outras peças de teatro, mas quando lá estás parece sempre que é a primeira vez, e voltas a emocionar-te da mesma maneira. Escreve sobre como os dois de vez em quando ainda te dão cabo da cabeça com os gritos e as correrias dentro de casa, como se tivessem ainda cinco anos, que isto o tempo passa mas há coisas que nunca mudam. Sobre os palavrões sempre prontos a sair da boca do mais velho, imitado pelo mais novo, claro está, e de como tu te tens de esforçar para não rir, tantas vezes, por causa disso. Sei lá, pá, escreve sobre a árvore de natal, que bonita que está, sobre o entusiasmo do mais novo a ajudar-te e a indiferença do mais velho. Sobre os chocolates que desaparecem num abrir e fechar de olhos. Fala sobre a magia das luzes e de como isso te lembra as árvores de natal da tua infância. Aproveita e faz uma viagem até àqueles natais de mesa cheia na casa dos teus avós, com o calor e o vinho e as gargalhadas a acompanhar. Já escreveste sobre isso tudo? Então olha, cala-te, mas é.
sexta-feira, janeiro 08, 2010

sexta-feira, dezembro 26, 2008
Natal
O natal, pois. Aquela época do ano em que nos esquecemos de nós e da lógica assombrosa que nos polvilhava os anos esquecidos da juventude, aqueles que se situam algures entre a magia e a crença ingénua da infância, e a relatividade da idade mais ou menos madura. A relatividade, a mesma que aprendemos como teoria nos bancos da escola, e que aquele cientista de cabelos em pé e nome esquisito, que de tão pronunciável se tornou familiar, dedicou grande parte da existência a determinar e demonstrar com esmero e dedicação; aquele esmero e aquela dedicação de que só mesmo os malucos são capazes, ou ao menos aquilo que julgamos que impregna o espítito e a vontade de um maluco (ou de um génio, tanto faz). A mesma relatividade que só quando crescemos, ou amadurecemos, ou envelhecemos, como queiram, se nos apresenta, não já como teoria, mas prática, aquela prática casual que nos faz envergar as roupas vermelhas e decadentes de pai natal e, se não a descer pela chaminé, pelo menos a perder parte da noite a embrulhar presentes com a mesma determinação com que antes duvidávamos da existência de deus. De deus ou de qualquer credo, crença ou conjunto de valores que nos parecessem perigosamente afastados daquilo que acreditávamos ser a realidade. Hoje despimo-nos de preconceitos e aqui estamos a embrulhar prendas, na boca da noite, a fita-cola a teimar em esconder-nos a ponta, e os dedos quase a tropeçarem no sono dos justos que já nos ameaça ensombrar as pálpebras. Mas não, não desistimos, e tudo por amor a essa coisa que já desprezámos e que hoje guardamos na caixinha dos tesouros mais secretos, aquela pedra preciosa que dá pelo nome de magia. Os miúdos já nem acrreditam no pai natal, a verdade é que também pouco fizémos para lhe alimentar a fantasia e mantê-los na ilusão, conscientes de que ela, a ilusão, só dura enquanto é pura, e a sua pureza desvanece-se quando começamos a duvidar. Mas hoje já sabemos que não é a dúvida que a mata, mas essa agonia lenta que toma conta de nós quando se nos empobrece o espírito e a razão. Por isso não temos medo das dúvidas e recebemo-las como mais uma benção. Afinal, não fossem elas, as dúvidas, e não estaríamos aqui hoje, no meio de embrulhos por fazer, os minutos lentos a escorrerem pelas paredes do quarto, e um formigueiro na barriga que não sabemos bem de onde vem. Talvez de muito longe, daqueles anos em que, sem acreditar no pai natal, esperávamos por ele à meia noite do dia 24 como quem espera um milagre que se renovava todos os anos. O mesmo milagre que nos fazia ir para a muralha nos dias de nevoeiro apanhar o musgo agarrado às rochas, encharcado de humidade, e construir com ele uma paisagem de sonho, com as peças do presépio já partidas, ao burro faltavam-lhe as orelhas, ao menino jesus um braço, um dos reis magos tinha-se evaporado do camelo, a maria já não tinha mãos e a josé faltava-lhe um pé. Depois havia um moinho que tinha de se apoiar num bocado mais alto de musgo, porque senão caía para o lado, e uma ponte partida que se montava como se fosse um puzzle, as três peças encaixadas umas nas outras por cima de um bocado de espelho ou de uma prata que fazia as vezes de lago. A algumas ovelhas faltavam-lhe a cabeça, a outras uma pata ou os quartos traseiros, mas, mal ou bem, todas lá se iam aguentando em pé. O pastor, coitado, é que não tinha cara. Mas nem nos passava pela cabeça pedir para se comprarem outras peças, porque aquelas tinham qualquer coisa indizível que as tornava únicas e insubstituíveis. As luzes da árvore de natal, uma braçada de pinheiro apanhado na serra dossa, ainda a cheirar ao coração da terra, com aquele frio gelado na ponta das agulhas que nos roçavam os dedos pequeninos, e o brilho que os enfeites teciam no escuro, completavam aquele pequeno milagre que nos nascia no coração, aquele a que agora voltamos a dar vida, enquanto uma montanha de embrulhos em papel fantasia de todas as cores se acumula na cama, ao mesmo tempo que os minutos passam e as recordações nos lavam aquela angústia daninha de estarmos a boicotar o sonho mais antigo da nossa velha infância.
domingo, dezembro 23, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Natal
É Natal, é Natal
e há crianças a morrer de fome todos os dias.
É Natal, é Natal
e chovem rios de lágrimas a inundar a terra.
É Natal, é Natal
e continuam as guerras.
e o ruído das bombas atordoa os ares.
É Natal, é Natal
e há meninos perdidos nas ruas
a dormir em becos.
É Natal, é Natal
e em cada esquina
há um corpo frio na noite
que procura o abrigo
de uma caixa de cartão.
É Natal, é Natal
e as luzes acendem-se
e cegam-nos
de paz, de amor, de esperança.
É Natal, é Natal
e os olhos do menino
no escuro
estão tristes
e cheios de lágrimas
das dores
de tantos olhos
perdidos
pelo mundo.
segunda-feira, dezembro 25, 2006
ESTAVA À PROCURA
segunda-feira, dezembro 18, 2006
domingo, dezembro 17, 2006
XMAS CARDS
O pessoal aqui tem um hábito directamente proporcional à indústria da produção de xmas cards: é que toda a gente oferece cartõezinhos a desejar boas festas a toda a gente! Mas é mesmo toda a gente! Nas escolas, nos empregos, desconfio que até nos cafés e bares habituais, no autocarro, no cabeleireiro, no supermercado, no raio que o parta!
No primeiro Natal que aqui passei não me apercebi do fenómeno: tinha acabado de chegar e ainda não estava imiscuída nos hábitos locais. No ano passado, quando o David começou a trazer cartões para casa, oferecidos pelos amigos, pensei, olha que simpático, que giro, etc, e lá comprei alguns para ele devolver os best whishes. Depois, no último dia de aulas antes das férias do meu curso de inglês (não se esqueçam que éramos todos estrangeiros, menos a professora) lá estava um cartãozinho em cima de cada mesa, lembrança da professora, claro. Que simpática, que querida, olha, e eu que nem me lembrei disso, que chatice. Bom. Quando foi o último dia do curso de childcare é que me ia caindo tudo ao chão. É que toda a gente (TODAS, incluindo as que não eram inglesas) tinha trazido cartões, menos uma pessoa... claro que era eu, não é difícil adivinhar. Fiquei tão envergonhada que resolvi telefonar ao meu marido e pedir-lhe o generosíssimo favor de me ir comprar uns cartões e mos trazer, enquanto dei a desculpa que me tinha esquecido deles em casa... meu Deus, com estas pressas, estão a ver, pois é...
Lá veio o desgraçado do homem com os cartões, que eu muito prontamente preenchi e dei a cada uma delas com um sorriso de best xmas and happy new year. E aprendi a lição. Este ano comprei resmas de cartões, e os meus filhos escreveram a todos os meninos da classe. E desta vez já não houve cartões esquecidos em casa. Ah, que lindo que é o Natal! :) :P
quinta-feira, dezembro 22, 2005
O BACALHAU
E 2 kg de grão Compal (que é do melhor que há, garanto-vos, comparado com aquilo que se encontra por aqui), e uma broa amarela, rijinha, óptima, tudo comprado no cantinho dos portugueses cá do sítio...
A primeira vez que entrei aqui num café português parecia uma criança a quem tinham acabado de oferecer uma prenda. Não imaginam o gozo que me deu entrar, sentar-me, pedir uma sandes de queijo e uma ucal com chocolate!
E a delícia que foi matar saudades destes sabores!
E falar português, e ouvir falar português...
Ai e o pão, o pão alentejano que a minha mãezinha vai trazer na mala... já me está a crescer água na boca... :)
quarta-feira, dezembro 21, 2005
OUTRA ÁRVORE DE NATAL!!!
domingo, dezembro 18, 2005
CONVERSA À MESA DO ALMOÇO
- Vem, filho, no dia de Natal.
- Puquê?
- Mas o pai Natal só vem se nós nos portarmos bem, não é, mãe?
- Sim, filho...
- Os meninos que se portam mal não levam prendas, pois não?
- Ó filho, só se os meninos se portassem muito, muito mal é que o pai Natal não lhes dava prendas...
- Só assim os que roubam e assim?
- Pois...
- Eu p'a cá acho que os ladrões, a mãe deles era muito maluca e não os ensinou bem e foi por isso que eles ficaram ladrões...
- Se calhar foi, filho... Mas olha, sabes (e engoli em seco) há meninos que se portam bem e não têm prendas de Natal...
Dois olhos interrogativos e perplexos fixam-se nas minhas palavras.
E eu engulo outra vez em seco:
- Há meninos que não têm prendas... ou porque não têm dinheiro, os pais não têm dinheiro... e também há meninos que não vivem com os pais...
- Mas porquê?
- Ou porque os pais já morreram, ou porque...
Não, não fui capaz de lhes dizer que há pais que abandonam os filhos. Não fui capaz, pronto! Em vez disso disse-lhes que há pessoas sem dinheiro e sem possibilidades de criarem os filhos e que os têm de mandar para uma instituição... isto claro dito numa linguagem mais acessível... mas é difícil, porra!
- Mas porque é que mesmo os pobres têm de pagar as coisas?
- Toda a gente tem de pagar, filho. E depois há pessoas que têm muito dinheiro e há outras que não têm nada... E há pessoas que nem têm dinheiro para comprar comida...
- Mas então assim depois morrem de fome!
- Pois é, querido, no mundo há pessoas que morrem de fome.
O David fica pensativo. Depois diz:
- Sabes, eu acho que essas pessoas más que ficaram com o dinheiro todo foi quando os bons estavam a dormir e depois quando acordaram os maus tinham ficado com o dinheiro todo e essas pessoas tinham ficado pobres! E não puderam fazer nada!
- Pois é, filho, deve ter sido assim...
Como explicar-lhes que nesta luta desigual não são os "bons" que vencem?
Como explicar-lhes que quem governa o mundo são os "maus"?
sexta-feira, dezembro 16, 2005
SÓ ENTRE ANTEONTEM E HOJE FIZ 3 BOLOS IGUAIS A ESTE!

O primeiro foi para a festa de Natal da escola do David, na 5ª feira, o segundo foi para um almoço de Natal hoje no meu College e o terceiro foi para a família! E ainda fiz um tabuleiro de brigadeiros para uma festa ontem no meu College, também!
Estou imparável! Já a preparar-me para os afazeres do Natal!
Quando faço bolos lembro-me sempre da minha avó, e também da minha mãe. Mas esta época do Natal está principalmente associada aos meus avós, à casa deles em Estremoz, que era onde se reunia a família toda para a festa de Natal.
Com 8, 9, 10 anos (e se calhar mais nova, francamente não me lembro) eu já adorava ajudar a fazer bolos. A minha tarefa era segurar na tijela, mas depressa comecei a bater também a massa e garanto-vos que era uma expert! Até claras em castelo batia na perfeição (e não haviam batedeiras eléctricas, atenção, era tudo à mão! Lembram-se dos batedores de claras?).
Na altura do Natal, em casa da minha avó, a lista de bolos e doces era interminável. E eu ajudava em todos! A colher de pau lá de casa tinha um buraco no meio e quando se batia fazia um efeito engraçado na massa. Lembro-me tão bem dos braços fortes da minha avó a bater a massa, a bater, a bater, a bater... parece que a estou a ver.
Na noite de Natal reunia-se a família toda. Nunca mais voltei a ter um Natal assim... é que não eram só os avós e os pais e os netos: era uma montanha de primos e tios! A casa ficava cheia. O cheiro da comida e dos bolos e doces era delicioso. O calor espalhava-se no ar, misturado com os sorrisos e os olhares. E haviam sempre conversas animadas à volta da mesa, e anedotas, e boa disposição.
À meia noite tocava o sino e vinha o Pai Natal. Neste caso a Mãe Natal: era a minha mãe que vestia um roupão (verde, porque não havia nenhum vermelho), punha umas barbas e uns bigodes de algodão e descia as escadas com um saco cheio de prendas. A agitação das crianças era indiscritível!
No fim da noite havia papel de embrulho às cores espalhado por todos os cantos da casa. Iamos deitar-nos apenas quando já não nos aguentávamos mais em pé. E isto para nós, crianças, era um acontecimento!
terça-feira, dezembro 13, 2005
domingo, dezembro 04, 2005
XMAS TREE

Já temos! É pequenina, mas bonitinha!
O pessoal aqui passa-se com o Natal: é com cada ilumação, algumas casas parecem árvores de Natal! Mas nós aqui somos contidos e contentamo-nos com coisitas simples!
Também com dois malucos aos pulos dentro de casa, só assim é que a árvore consegue ter alguma esperança média de vida acima de 2 dias!