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quinta-feira, setembro 11, 2014

Livros escolares? O que é isso?




Em Inglaterra, nas escolas primárias, não há livros escolares. As salas de aula estão cheias de livros: contos e rimas infantis, estórias com e sem ilustrações. Há-os em toda a parte, desde a creche ao sexto ano, devidamente adaptados à idade das crianças. Depois cada escola tem a sua biblioteca. Só encontramos livros escolares na escola secundária. Estes, no entanto, são propriedade da escola, e transitam de ano para ano, passando de mão em mão, entre os alunos.

Deste modo, é possível um percurso escolar sem gastos em livros. Com o material passa-se a mesma coisa: as salas estão repletas de gavetas cheias de tudo o que é necessário. Tesoura, cola, tintas, pincéis, papel, canetas, lápis, borrachas, afias, réguas, esquadros, compassos, transferidores, sólidos geométricos, papéis de fantasia para corte e colagem, jogos variados destinados a auxiliar a aprendizagem, tudo o que possam imaginar, está na escola. Os livros auxiliares são disponibilizados em fotocópias, e cada criança tem um caderninho de merceeiro, chamado «homework book», onde o trabalho de casa é anotado e feito.


Também não se fazem ditados para contar os erros. Fazem-se livros: primeiro escreve-se a estória, depois monta-se a estrutura: páginas, desenhos, lombada, capa, tudo cuidadosamente colado e cosido. Os mais novos controem livros em 3d, cujas páginas se transformam nas paredes de uma casa ou de um castelo; paredes cheias de desenhos de todas as cores e palavras ainda incertas, letras em espelho e muitos erros. Mas esses não se assinalam a vermelho, porque fazem parte do caminho da aprendizagem, e o mais importante é que a casa tenha bons alicerces. As crianças aprendem quando a sua capacidade de criar é valorizada. Quando vêem os seus trabalhos expostos e apreciados, ao lado do orgulho que a escola lhes alimenta nesse gesto. Quando os agentes educativos não têm medo de elogiar, não vão os miúdos ficar convencidos de que a vida é um mar de rosas. A vida é um mar que se conquista navegando.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Primeiro dia

O miúdo levantou-se, tomou banho, comeu o pequeno almoço e estava pronto às quinze para as oito. Fiquei a vê-lo subir a rua, depois de lhe ter pedido para me mandar uma mensagem quando chegasse. Ele, como é evidente, esqueceu-se. Mandou-me à saída, sorry i forgt, e eu, claro, aprendi a lição. O mais novo respondeu-me que não quando lhe perguntei se queria que o acompanhasse até à sala. Lá foi na conversa com os amigos, pela porta dos grandes, e eu fiquei a acenar-lhe cá de baixo, enquanto ele ia aparecendo nas janelas. Na segunda já não apareceu. As manhãs são, por isso, maiores. Hoje é o segundo dia e já me sinto como se tivesse sido assim a vida inteira.

(A vida inteira, imaginem. A deles, claro, não a minha!)

terça-feira, julho 06, 2010

Amigos

"Então, e já tens algum amigo ou ainda não?"
(disse o ainda não porque, como foi o primeiro dia, não queria deixar implícito que o normal seria já ter amigos por esta altura).
"Sim, para aí uns três ou quatro."

Trial day

Deixá-lo de manhã na nova escola, na companhia de um rapaz mais velho, que muito prontamente o acompanha para lá dos portões e para longe da minha vista. Adivinhar-lhe o nervosismo na queixa de frio nas pernas. Deixá-lo, e ficar a sentir o sol bater nas pestanas, e uma espécie de orgulho misturado com alguma angústia disfarçada de serenidade. Ou o contrário. Ontem a reunião estava animada, uma sala cheia de pais e mães e irmãos mais novos, e os discursos foram simpáticos e acolhedores, e eu senti aquela sensação cálida na boca do estômago a desfazê-la, à angústia. Apesar disso, ela disfarça-se em maneirismos habituais, como afagar o cabelo e sorrir mesmo por cima da comichão na garganta que sabemos que advém do facto de estarmos no meio de uma sala cheia de estranhos. E tudo é novo, novinho em folha, e como isso pode ser irritante e cansativo, gerador de dor e confusão, quando o conhecido já se tornou no porto de abrigo. O medo ataca-nos assim, mascarado de dúvida (eu devia estar com medo... Estou com medo?), e depois gargalhamos em silêncio para dentro, claro que estamos com medo, que parvoíce, e isso de repente não tem importância nenhuma, porque é como reencontrar alguém, alguma coisa que já vimos; aqueles primeiros tempos aqui, aqueles dias difíceis que hoje são uma bela lembrança. Bela mesmo, sem exagero, que outro dia andei a ler os textos com que iniciei o blogue e aquilo é uma delícia. Depois damos por nós a implicar com a gravata e o raio do uniforme, e tentamos mais uma vez disfarçar gracenjando, nem sabemos fazer o nó da gravata, ahah, que isto vai ser bonito. E a seguir estamos no portão da escola, e ele, o nosso filho, lá vai todo seguro de si, e nós ficamos a pensar que no dia em que entrámos para a escola secundária não tínhamos ninguém à porta a receber-nos. Nem à porta nem em lado nenhum. E depois metemos a mão no bolso, acariciamos a angústia e deixamos o orgulho transbordar, está quase, só faltam uns dois mesitos e o meu filho está na secundária, na escola dos grandes. Don't take all the blame, dizia ontem o headteacher, entre risos, a propósito do crescimento deles, they are not going to be you, they are a different person, just be there for them. And enjoy. That's it. Enjoy, digo eu.

sexta-feira, maio 28, 2010

Half term

Uma semana de férias pela frente.
Estas férias a meio do período põem tudo de pernas para o ar. Os sonos trocam-se, os dias entram pelas noites e não há horas para nada. Quando começamos a entrar na onda e a tomar-lhe o gosto, pronto, acabou-se, e volta a rotina escolar. Chega a doer nos primeiros dias.

sexta-feira, abril 02, 2010

Livros a 3D



Estes são os livros a 3 dimensões. Não só para serem lidos, mas vistos e mexidos. Não dá para ver bem, é de propósito, contudo o importante salta à vista: nem só de palavras se faz uma história.

quarta-feira, março 10, 2010

Eu queria ser um iReporter

mas não percebo nada daquela porcaria e nem me apetece mandar um email a perguntar como se faz para publicar a notícia que lá tenho guardada há semanas porque quase de certeza que não me vão responder, assim como não me responderam se é possível colocar este blogue na lista e também não vão responder à minha tentativa de publicar um conto na revista (se me enganar eu depois digo). A notícia é para ilustrar a fotografia abaixo.

Livros a 3D

Nas escolas primárias, em Londres, não se fazem ditados para contar os erros. Fazem-se livros. Há livros, muitos livros nas escolas. As crianças são as primeiras a interessar-se pela leitura, porque as histórias lhes despertam interesse. A escrita desenvolve-se fazendo. Construindo livros cheios de desenhos de todas as cores, traços com vida própria, palavras desenhadas para fora dos limites, algumas em espelho, e erros. Estes não se assinalam a vermelho, são o caminho da aprendizagem de mãos dadas com o prazer de fazer algo com as mãos, de construir, de descobrir, de explorar. As crianças aprendem quando a sua capacidade de criar é valorizada e integrada nos conteúdos dessa aprendizagem. Quando se sentem apreciadas. Quando vêem trabalhos seus expostos nas paredes e dispostos nas prateleiras, lado a lado com o orgulho que a escola lhes alimenta nesse gesto. Quando os agentes educativos não têm medo de elogiar, não vão os miúdos ficar convencidos de que a vida é um mar de rosas. A vida é um mar que se navega com vontade e com prazer.

quinta-feira, março 04, 2010

World book day

Sabiam que hoje é o dia mundial do livro? Na escola dos meus filhos houve meia hora de sessão de leitura de manhã e à tarde, para as famílias que quisessem ou pudessem. Trouxeram um vale de £1 para descontar na compra de um livro. Levaram livros para a troca: num caixote deixam-se os que já não se querem e tira-se o mesmo número. E o mais novo está a fazer outro livro, aliás, a sala inteira. Cada um faz umas poucas de páginas.

terça-feira, março 02, 2010

Baba de mãe

Entrou, entrou na escola que queria! Por acaso, e só por acaso, está no grupo das melhores escolas a nível nacional. Porque o mais importante é que é a escola que ele queria.

domingo, fevereiro 28, 2010

Scientific mind

O que é que é mais pesado: o chá açucarado, ou a mesma quantidade de chá e de açúcar, em separado?
Acho que o chá açucarado é mais leve...
Porquê?
Porque quando se mistura, o açúcar dissolve-se e fica mais leve...
Ok. Queres fazer a experiência?
Agora?
Então, não dizes que queres ser um cientista?

Experiência feita. Pesam o mesmo. Porquê?

(Não sei se compreendeu mesmo o porquê, mas isso também não interessa. O que interessa entendeu.)

sexta-feira, outubro 16, 2009

Baba até mais não

O miúdo passou nos testes e ficou entre os 180 melhores. O que quer dizer que, provavelmente, vai entrar para a escola que quer. :-)

sábado, outubro 10, 2009

Escolas e outras coisas

Continuamos a ver escolas, e, apesar de já estar um bocado farta de tantas andanças (percorremos a escola de uma ponta à outra) continuo pasmada com o que vejo. E digo outra vez, agora é que eu queria andar na escola. As pessoas hoje andam muito preocupadas com a violência nas escolas, mas está-me cá a parecer que acontece com este problema o mesmo que acontece com muitos outros: sempre houve, mas só agora é que se fala disso. E fala-se tanto que realmente dá a impressão que a coisa assume proporções gigantes. Ora eu, que nesta altura já visitei (quantas? Deixa-me cá pensar...) aí umas cinco ou seis escolas, ainda não vi uma única cena de violência. Podem-me dizer que o comportamento dos miúdos não será o mesmo com visitas na escola, pois a mim o que me espanta é precisamente que, durante estas visitas, em que bandos de pais e filhos e até bebés passeiam pelos corredores, à mistura com os estudantes enquanto estes mudam de sala, não aconteçam acidentes do tipo, miúdos a correr desvairados e a levarem tudo à frente. É que é mais ou menos esta a imagem que guardo da minha escola preparatória e depois secundária, do pessoal em correria desenfreada pelos corredores, empurrões, encontrões e coisas piores. Pois o que tenho visto são corredores cheios onde é difícil deslocarmo-nos, mas nada de encontrões nem de atropelos, tudo muito ordeiro, pedidos de desculpa e com licença, uma maravilha. E não pensem que tudo ordeiro quer dizer tudo em sentido como se estivessem na tropa; não senhor, há risos, conversas, barulho, movimento, enfim, vida.
Geralmente o que se ouve por aí é que no meu tempo é que era bom. Pois eu digo o contrário: no meu tempo era uma porcaria. Comigo, por exemplo, a escola falhou redondamente. No quê? Não, não foi a nível académico. Mas a escola é muito mais do que isso, do que transmissão de conhecimentos. A escola tem de preparar para a vida. No que é que falhou? Eu digo: não me ensinou a acreditar em mim nem nas minhas capacidades. Não me incutiu auto-estima nem confiança em mim mesma. Não me valorizou como pessoa nem como sujeito activo na minha própria aprendizagem. Desenvolveu muito pouco o espírito crítico e a auto-reflexão. Não me encorajou nem me apoiou nas minhas fraquezas. Não fomentou o espírito competitivo positivo. Não fomentou o sentimento de segurança nem de pertença. Em suma, e em termos pessoais e sociais, um verdadeiro falhanço.
Muita gente continua a achar que o que as crianças encontram em casa é muito mais importante do que o que encontram na escola. Só que as crianças crescem e deixam de ser crianças. É claro que a família é o alicerce mais importante de uma pessoa, mas a escola é talvez o segundo. Na adolescência é preciso sair de casa e ir ao encontro do mundo.
Não, o mundo não está cada vez pior. O mundo é um lugar cada vez melhor. As coisas mudam para melhor, sim.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Mudanças

Cá no meu tempo ninguém se preocupava com o facto de, entrados para a escola secundária, ou preparatória, ou que raio era aquilo, só nos apetecer enfiar num buraco nos primeiros dias, e andarmos para ali aos caídos com medo de tudo e de todos, dos colegas, dos professores, dos contínuos, do recreio enorme, das casas de banho porcas e imundas e dos possíveis encontros imediatos que poderiam acontecer por lá, dos corredores intermináveis e das infinitas salas onde nos perdíamos hora sim hora sim. Ainda me lembro como se fosse hoje quando aterrei na pedro de santarém e encontrei uma turma onde praticamente já toda a gente se conhecia, menos eu e mais outro miúdo. E não havia cá dias de recepção, nem boas vindas e ninguém nem reparava nos nossos olhos sempre enfiados no chão. Isto os adultos, claro, que os colegas, ainda me lembro, andavam sempre de roda de mim a perguntar porque é que eu andava sempre tão sozinha. Não podiam adivinhar que isso ainda aumentava mais o meu constrangimento.
Bom. Isto só para dizer que sim, que acho o máximo todas estas iniciativas que se fazem hoje nas escolas, visitas com os pais, falar com os professores e os alunos, e só posso sorrir ao ver o cuidado que por aí anda com o bem estar dos novos alunos. O objectivo é suavizar o medo natural que tão grande mudança acarreta. E para alcançá-lo não há nada como criar o ambiente ideal para que as amizades floresçam. Nos primeiros dias de aulas, até antes disso, eles promovem encontros entre os miúdos para que estes se conheçam e façam amigos. Sem amigos e sem estar integrada na escola uma criança não aprende. O principal é que eles se sintam felizes na escola; a aprendizagem e os resultados vêm depois. E eu já estou como a mãe de um dos colegas do David, agora é que eu queria andar na escola. E tenho a certeza que sim, as coisas mudam sempre para melhor.

segunda-feira, setembro 21, 2009

1ª visita

Fomos visitar a primeira escola.
O David não gostou. Disse que era too strict: não são permitidos ténis, só sapatos pretos, tem de usar gravata e blaser, e não são permitidos telemóveis dentro da escola.
Pois é, filho, prepara-te, porque todas as escolas devem ter estas mesmas regras.
E o ar dele: «Mas qual é o mal de usar ténis?»
Boa pergunta. Eu também acho uma mariquice pegada, esta cena do uniforme.

domingo, setembro 13, 2009

11+

Enquanto o David faz testes e eu corrijo, chego a duas conclusões:
1. Não estou assim tão mal como pensava
2. Ele, apesar de ser muito melhor a matemática que eu (faz cálculos de cabeça que eu demoro eternidades a chegar lá) é igualzinho a mim numa coisa: super distraído. Dá erros por falta de atenção que é uma coisa parva.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Manhãs e tardes

Temos ido a pé para a escola todas as manhãs.
As manhãs têm estado frias mas depois as tardes aquecem.
No primeiro dia de escola havia muita timidez no ar. Caras emburradas. É por isso que as pessoas tímidas passam tantas vezes por mal educadas ou mal encaradas.
Pois nós somos uma família de mal encarados.
Eu sou a que disfarça melhor, mas isto é só porque na altura não tenho um espelho à frente.
Ao fim do dia já há sorrisos e alguma excitação no olhar.
O Diogo está no segundo ano. O mesmo ano que o irmão quando entrou para esta escola.
O David está no sexto. É o último.
E o stress da escola secundária já começou.
Preparação para os testes. Procura de informação sobre as escolas. Dias para visitá-las.
Temos uma porrada de escolas para visitar.
Até fins de outubro, vai ser intenso.

sexta-feira, julho 10, 2009

Use your fingers

Outro dia tive de fazer uns testes de matemática e inglês. É em alturas destas que me lembro do meu passado de estudante e da quantidade de testes que fazíamos, com alguma admiração. É que acabei aquela porcaria com uma dor de cabeça infernal. Também não admira - tive de vasculhar nos neurónios, à procura de coisas como cálculo de áreas, perímetros, até o teorema de pitágoras!
Às tantas dei por mim a contar pelos dedos, assim à socapa, para ninguém perceber. Acho que isto é um problema mais ou menos universal, na minha geração e noutras também - quando contamos pelos dedos achamos que estamos a fazer batota, e tentamos esconder tamanha vergonha de não saber fazer contas de cabeça. Ora aqui, nas escolas, passa-se o contrário: são os professores que incentivam o uso dos dedos, quando os miúdos não conseguem lá chegar. Use your fingers!, estão sempre a dizer.
E de facto é demasiado óbvio. Os dedos são mesmo a ferramenta mais à mão - estão mesmo ali na mão - quando se trata de visualização espacial. Porque é disso que se trata, e de uma vez por todas, vejamos se nos entendemos: para aprender a fazer contas as crianças primeiro têm de visualizar no espaço. Não adianta de nada ensinar-lhes a tabuada se elas não entenderem primeiro o que é multiplicar - entender visualizando no espaço. Vendo. Mexendo. E querem coisa melhor para ver a mexer que os próprios dedos?
Deixemo-nos de vergonhas. Contar pelos dedos não é sinal de burrice, é sinal que se é inteligente o suficiente para usar as ferramentas que temos à mão. Os auxiliares não boicotam, ajudam a estruturar as ideias, o pensamento, o raciocínio.

sábado, março 21, 2009

Eu não gosto de segregações

mas parece que aterrei no país da segregação.
Os miúdos deixam a escola primária quando passam para o sétimo ano, e as preocupações (pré-ocupações) começam mais ou menos um ano e meio antes. Que é onde nos encontramos agora, pois.
Palavra que não entendo. Num país onde a diversidade e a integração cultural é uma preocupação constante, isto não devia acontecer, acho. É que se já é uma dor de cabeça encontrar uma escola secundária, assim torna-se uma epopeia.
A saber: temos escolas católicas e não católicas (não faço a mínima ideia se existem escolas de outros credos religiosos); escolas para rapazes e para raparigas, além das mistas (felizmente) e depois temos as grammar schools e as normais escolas secundárias. Grammar schools são escolas secundárias para alunos de um nível mais elevado. Para se ser admitido tem de se fazer uns testes especiais (denominados de 11+), e como cada escola só admite cerca de 180 novos alunos cada ano, o resultado tem de ficar entre os 180 melhores. (Também há grammar schools para rapazes, para raparigas e mistas). 
No borough onde moro não existem grammar schools (não me perguntem porquê), de maneira que a mais próxima fica aí a um quilómetro de distância (talvez menos). 
O David quer ir para uma grammar school. Isto porque o irmão de um amigo anda lá e o amigo também vai. Eu não me importo que ele vá. Depois começo a ouvir as mais diversas opiniões e ainda fico mais baralhada. Uns dizem que as grammar schools são melhores que as outras. Outros dizem que lá a única preocupação são as notas e o sucesso escolar e que a pressão é imensa. Faz sentido, e não me apetece muito enfiar o meu filho numa escola que tenha como principal objectivo manter o nível elevado a qualquer custo. Faz-me pensar no capitalismo extremo: a lógica do lucro levada às últimas consequências.
Já fui ao site de várias grammar schools e não me parecem de todo escolas apenas interessadas nos resultados dos alunos. Têm diversas actividades, como música e drama, e estão principalmente empenhadas em promover o desenvolvimento individual dos seus alunos. Incluem no currículo o ensino de pelo menos duas línguas estrangeiras (o que neste país de gente que só fala inglês é algo notável). 
Eu não gosto de segregações, nunca gostei. Acho que a escola devia ser a mesma para todos. Mas acho também que anda muito preconceito por aqui. A maioria dos pais com que falo não frequentou nenhuma dessas escolas. Portanto, não conhece a realidade. O que dizem é consequentemente produto de um preconceito (pré-conceito). Esses pais que se indignam com o facto de a escola dividir os miúdos mais inteligentes ou com melhores notas (com um mais alto nível económico, na opinião de alguns, porque podem pagar a quem lhes prepare os filhos para o 11+), são os mesmos que têm as meninas nas escolas para raparigas ou os meninos nas escolas para rapazes. A segregação de género já não os incomoda tanto. Eu nunca gostei de segregações; aliás, abomino-as; mas já que estou no país da segregação, prefiro que o meu filho vá para a grammar school (se ele quiser) do que para uma escola só para rapazes. Ou para uma escola católica. Se não passar o 11+, vai para uma secundária normal. Mista.
E depois de escrever tudo isto, ainda mais me convenço que tudo isto é uma anormalidade.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

O ensino em Portugal ainda está na idade da pedra

A minha mãe ao telefone, uma nota de preocupação na voz: A Catarina teve 19 erros num ditado. Já disse ao teu irmão que tem de trabalhar mais com ela... A Catarina é a minha sobrinha, e está no segundo ano, parece-me. E eu a pensar cá com os meus botões, mas então, o que é que se esperava? Que desse muito poucos erros, ou nenhum? Uma criança que acabou de começar a aprender a ler e a escrever, não é suposto escrever com erros? Ou sou eu? É que às vezes já me irrita, isto de parecer que quero ver sempre mais além. E vejo. E acho uma estupidez. Ditados? Ainda se fazem ditados? Para quê, para assinalar os erros? Que interesse tem isso? Façam antes livros, pá! Sim, construam livros, escritos pelas crianças, com erros, sim, não importa. E com desenhos nas páginas e nas bordas. Venham cá espreitar os livros feitos pelas crianças, desde a pré-primária, alguns praticamente sem palavras escritas, outros cheios de letras mal desenhadas e erros escabrosos, outros nem tanto, mas todos com um cunho próprio, cheios de vida nas cores dos desenhos. Façam livros, e verão como os erros tenderão a desaparecer, com o tempo. Aliás, o erro não se evita; o erro é uma ferramenta fundamental na aprendizagem, parece-me. Mas não para ser assinalado. Assinalados com alarme devem ser os progressos. Ditados e cópias, faziam-se no meu tempo e eram uma seca. A melhor forma de aprender, é brincando e divertindo-se. Uma coisa tão simples e tão difícil de entrar nalgumas cabeças.  

quarta-feira, novembro 12, 2008

Academic review day

Eu às vezes já nem digo nada, que é para não me chamarem babada... Mas como até é isso mesmo que eu sou - uma mãe a escorrer baba - então vamos lá.
É muito bom, pois é, ouvir tantos elogios. Sobre a maneira como aprende, como está motivado, como se comporta - sempre cinco estrelas - o modo como se dedica ao trabalho. Como continua um ás na matemática, e também - novidade! - como escreve bem. Estive a ler por alto uma estória escrita por ele, que, segundo as professoras - são duas - é muito agradável de se ler. É interessante notar como ele aproveita ideias de estórias que leu - nesta, particularmente, notam-se influências do Harry Potter -, e como lhes dá depois um cunho pessoal, enquadrando-as em contextos diferentes criados pela sua imaginação. Outro pormenor: escreve com humor, o que é um sinal muito positivo, conseguir fazê-lo utilizando uma segunda língua.
É claro que a mãe, que com a idade dele também já escrevia estórias, pois claro, ficou toda orgulhosa de ouvir isto.
Quanto ao mais novo, não me canso de dizê-lo, é fantástica a forma como as crianças aprendem a ler. Com entusiasmo, com gosto, com prazer. Neste estádio, eles começam a ler palavras simples e a reconhecer sons - identificar os sons nas palavras escritas. Começam a ter já um conjunto de palavras conhecidas - ou familiares - que sabem escrever correctamente. Depois há crianças que já lêem com mais fluência que outras - mas cada um vai ao seu ritmo. O Diogo ainda não lê com muita confiança, mas está a dar os passos nesse sentido. Relativamente aos números, nesta fase, eles começam a aprender cada vez mais sequências maiores de números, e a observar padrões na famosa tabela da centena (the hundred square). Já fazem operações (somas e subtracções) simples.
O Diogo é um perfeccionista - eu já reparei nisso. Na maioria das vezes não quer ler, prefere que eu lhe leia - e isto porque fica muito frustrado por não conseguir ler com segurança. Não gosta nada, nada de errar. Prefere que lhe digam como se faz do que tentar por ele. Mas também está a dar os passos necessários no sentido de ganhar mais confiança e poder arriscar sem medo - arriscar a errar. Ninguém gosta de errar, acho. Mas o erro é uma ferramenta tão fundamental na aprendizagem, que é de louvar que a escola a encare precisamente desse modo, e que estimule nas crianças a segurança necessária para que possam correr esse risco com confiança.
Também é muito bem comportado, consegue estar em silêncio e atento nas alturas em que é preciso ouvir. Tão bem comportados, os dois, que eu às vezes pergunto-me se não podiam portar-se um bocadinho - assim só mesmo um bocadinho - mal, e em casa compensar para o outro lado.
Pois, pois. Cala-te, boca.