
Em Inglaterra, nas escolas primárias, não há livros escolares. As salas de aula estão cheias de livros: contos e rimas infantis, estórias com e sem ilustrações. Há-os em toda a parte, desde a creche ao sexto ano, devidamente adaptados à idade das crianças. Depois cada escola tem a sua biblioteca. Só encontramos livros escolares na escola secundária. Estes, no entanto, são propriedade da escola, e transitam de ano para ano, passando de mão em mão, entre os alunos.
Deste modo, é possível um percurso escolar sem gastos em
livros. Com o material passa-se a mesma coisa: as salas estão repletas de
gavetas cheias de tudo o que é necessário. Tesoura, cola, tintas, pincéis,
papel, canetas, lápis, borrachas, afias, réguas, esquadros, compassos,
transferidores, sólidos geométricos, papéis de fantasia para corte e colagem,
jogos variados destinados a auxiliar a aprendizagem, tudo o que possam
imaginar, está na escola. Os livros auxiliares são disponibilizados em
fotocópias, e cada criança tem um caderninho de merceeiro, chamado «homework
book», onde o trabalho de casa é anotado e feito.
Também não se fazem ditados para contar os erros. Fazem-se
livros: primeiro escreve-se a estória, depois monta-se a estrutura: páginas,
desenhos, lombada, capa, tudo cuidadosamente colado e cosido. Os mais novos
controem livros em 3d, cujas páginas se transformam nas paredes de uma casa ou
de um castelo; paredes cheias de desenhos de todas as cores e palavras ainda
incertas, letras em espelho e muitos erros. Mas esses não se assinalam a
vermelho, porque fazem parte do caminho da aprendizagem, e o mais importante é
que a casa tenha bons alicerces. As crianças aprendem quando a sua capacidade
de criar é valorizada. Quando vêem os seus trabalhos expostos e apreciados, ao
lado do orgulho que a escola lhes alimenta nesse gesto. Quando os agentes
educativos não têm medo de elogiar, não vão os miúdos ficar convencidos de que
a vida é um mar de rosas. A vida é um mar que se conquista navegando.