quarta-feira, julho 26, 2006

E EU, QUE PRECISO TANTO DO MEU SILÊNCIO...

É verdade, preciso. Sou uma pessoa silenciosa por natureza. Sempre fui. Gosto de gastar o tempo a pensar, a navegar, a viajar. Mas tudo para dentro, no aconchego do meu espaço interior. Gosto de escutar os sons que as palavras não dizem. Gosto de escrever aqui, porque é como conversar comigo própria em silêncio.

É claro que também gosto de conversar, não pensem! Aliás, é uma das coisas que mais sinto falta aqui: conversar com os meus amigos, na minha língua! Mas o silêncio é-me imprescindível. Sem ele fico baralhada, mal disposta, confusa, nada nada boa companhia.

É muito difícil conseguir este espaço de silêncio, agora. Com a casa sempre a transbordar de risadas e gargalhadas e gritos e vozes e choros... enfim, vida! E ainda bem, não me interpretem mal. Adoro ouvi-los. Mas às vezes sabe tão bem... (o silêncio... que não se ouve)

No outro dia, à mesa, constatei que o David qualquer dia já não consegue exprimir-se em português. Baralha-se a procurar as palavras, não as encontra, e lá acaba por dizer umas quantas palavras em inglês. E eu a pensar para mim, caramba, tenho de falar mais com ele! Qualquer dia não sabe falar português! Vá, vamos lá a conversar, vá, apaga a televisão, vá lá!

É isso e o falar à bebé do Diogo. Vou confessar-vos uma coisa, eu adoro falar à bebé com ele, adoro ouvi-lo, adoro imitá-lo! Mas estou a fazer um esforço, a sério. É que já me apercebi de uma coisa: como ele não ouve tanto o português e não está em contacto com outras crianças que também falem português diariamente, o falar à bebé vai-se prolongando. Ele precisa de ouvir português correcto para começar a falar bem. E eu estou a esforçar-me, garanto-vos. Corrijo-o, digo-lhe as palavras bem pronunciadas quando ele não sabe... Mas às vezes não resisto, pronto, quando ele me sai com algumas bebezadas tão fofas... pronto, pronto, eu controlo-me...

Isto a propósito do silêncio, que me faz tão bem, que me faz tanta falta, mas que eu tenho sistematicamente de adiar, de iludir, de sublimar.

5 comentários:

Sinner disse...

Well, hello!
Olha, vou-te pedir-te uma coisa: fala com os teu lindos em Português, não os deixes 'esquecerem-se'! Lembro-me quando estava aí, que era tão triste ver os filhos dos emigrantes só a falarem Inglês.
Enfim...
Agora deixo-te com o teu silêncio... ;)

Beijinhos

Alex disse...

Pois, em silêncio por agora, sim, esforça-te Papu, não os deixes perder nem a escrita, não sabes o dia de amanhã.

shiuuuuuu




até amanhã.

nitu disse...

o seu falar consigo própria resulta em textos muito bonitos de ler e confesso que como mães somos muito parecidas, gosto muito do seu blog...não deve ser muito fácil não, estar num outro país, eu admiro a coragem, eu que saí um ano de Lisboa e fui viver para o campo e senti uma diferença imensa. Percebi a ligação importantissima que tenho com Lisboa, com os meus amigos e com a minha familia, por isso e muito mais admiro-a sem a conhecer, um beijo lisboeta

Anónimo disse...

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