sexta-feira, setembro 14, 2007

Tempos

Já entra pela porta dos mais velhos, ou melhor, dos infants (há outra porta, que é a dos juniors, por onde entra o David). Já come na escola, juntamente com todos os meninos. Já brinca (às vezes) no recreio dos grandes. Já veste as cores da escola (eu sempre a ver-me grega para encontrar roupa com as cores adequadas nas lojas!) e fica mesmo com ar de menino crescido com os polos brancos e verdes e as calças pretas (ou azuis escuras). Já sai pela porta dos infants (a mesma por onde entra), e para mim é uma dor de cabeça, diga-se de passagem, ter cada um a sair por sua porta. Nos meus piores pesadelos eles somem-se no meio daquela confusão que são as crianças ali todas ao molhe e as professoras os pais e as mães e as avós e os avôs e os tios e as tias ali à volta deles, e eu a olhar, a olhar, e nada, onde se meteram? Tento nunca chegar atrasada, não vá o diabo tecê-las e o meu pesadelo encarnar assim de chofre na realidade clara e límpida dos dias. Mas onde estou eu? Que disparate, isto são as minhas paranóias, não liguem... O que eu estava a dizer é que ele está enorme e crescido, e eu inchada, inchada de olhar para ele e ver que já deixou de ser bebé há tanto tempo, apesar desta nossa mania de mães de sempre abebezar os mais novos... será impressão minha ou é assim mesmo? E vem o dia em que olhamos para eles e, com um nó na garganta, apercebemo-nos de que o tempo passou e não volta para trás, e ficamos assim entre o triste e o feliz, entre a nostalgia e a excitação pelo futuro (e o medo, a espreitar na esquina, do desconhecido). E depois fica aquela sensação esquisita de que o tempo passa e eles crescem e nós, definitivamente, envelhecemos. Envelhecemos, seja lá o que isso quer dizer. E temos de pegar nos restos daquilo que deixámos de nós pelo caminho, aquelas partes de nós que ficaram adiadas porque agora não há tempo porque agora ele está a chorar e precisa de colo e de mama e de consolo e de conforto e de carinho e de afecto e de tudo e nós sem nada de nós mas com tudo nas mãos para lhes oferecer sempre sempre mesmo quando dentro de nós só há confusão e comoção não desistimos e insistimos e damos tudo e quando damos por nós ficaram tantas coisas pelo caminho e agora como agarrá-las e trazê-las de novo para a luz do dia?

Não, não sabemos. Não sabemos nada.

4 comentários:

edelweiss disse...

Gostei muito, tens toda a razão.
Quanto às portas diferentes à saída, percebo perfeitamente a tua ansiedade.

Kella disse...

Tambem me sinto assim em relacao ao meu David, o mais novo! O crescimento deles escapa-se-nos por entre os dedos...

LP disse...

É tudo tão rápido. Vertiginoso mesmo.

Alex disse...

Um bom começo de ano lectivo para os dois.
Um beijo Papu