sexta-feira, janeiro 23, 2015

O melhor dos livros

Chegar a Londres de coração cheio, depois de uma semana de entrega e partilha. O melhor dos livros, para quem os escreve, são as portas que eles nos abrem: primeiro, durante a sua escrita, e depois, quando andam pelas próprias pernas e nos levam ao encontro de pessoas extraordinárias. Essas pessoas, os leitores, são extraordinárias na medida em que nos abrem outras portas, algumas em que não tínhamos reparado, porque cada olhar abarca um horizonte que nem sempre está ao nosso alcance. E o melhor de tudo é, no fim, assistir ao todo que se abre diante dos nossos olhos, e receber a dádiva de tantos e diversos olhares que formam esse todo. Um livro começa por ser um caminho que vamos desbravando com palavras; palavras que arrancamos à machadada, palavras que tocamos sem usar as mãos, de tão frágeis. Os caminhos desaguam em rios, e os rios, já se sabe, não se esgotam no mar, antes sobem às alturas em desalinho de nuvens e oceanos de chuva. Quando terminados, os livros voam-nos das mãos, e dos ramos onde pousam não avistamos a mais pequena sombra. É essa a dádiva dos leitores: devolvem-nos o canto dessas aves solitárias; das palavras que já não dizem aquilo que escrevemos. Os leitores habitam outro território, e quando entramos pela porta que nos abrem, é com emoção que descobrimos o nosso livro na sua estante: os ramos em que pousaram as palavras que deixaram de nos pertencer, mas ainda são as nossas.

Muito obrigada extraordinárias leitoras: Ana Catarina, Isabel, Sofia, Alexandra e Teresa. Muito obrigada extraordinários leitores do grupo de Algés e Oeiras (um agradecimento especial à Rita).

1 comentário:

Catarina San Payo disse...

Gabriela
Ainda bem que este livro veio dar ao Tejo.
Ainda bem que conta histórias de Lisboa e do Alentejo (Estremoz), do nosso país.
Senti-me personagem dele.Revisitei Estremoz e sobretudo votei atrás no tempo e entrei na Faculdade de Ciências onde estudei e vivi os tempos da terceira voz.
Obrigada Ana Catarina