segunda-feira, outubro 10, 2005

"Ó MÃE, O VIDI NÃ GOTA DA MÃE!"

Isto a propósito das zangas. Hoje quando voltei da escola vinha tão cansada, que fiquei em casa enquanto o Diogo e o pai foram buscar o David. Bastou-me 5 minutos sentada para recuperar as energias, e enquanto olhava lá para fora para o dia de sol quase de verão (à tarde a temperatura subiu) só pensava nos meus meninos a correrem e a brincarem no parque. E como sabia que o meu marido tinha de trazê-los de volta rapidamente, pois tinha de sair, pus-me a caminho, com o cansaço já para trás das costas!

Quando cheguei perto deles, foi uma surpresa total! Mas eles já tinham outros planos: ir comprar um gelado! Ora, como sempre que comem um gelado se lambuzam todos, eu pensei, o melhor é brincarem um bocadinho no parque, e depois seguimos para o gelado. O Diogo anuiu logo, o David nem por isso. E ficou emburrado, a um canto, enquanto eu acompanhava o Diogo nas correrias e no escorrega dos grandes, que ele adora!

Volta e meia olhava para o David, e lá estava ele, de cara fechada, e quando via que eu estava a olhar lá enfiava a cara nos braços. Daqui a pouco passa-lhe, pensei com os meus botões. Diogo, vai chamar o mano para ele vir brincar! E lá ia ele, todo contente, e voltava com a expressão triste: "O mano nã binca!"

Às tantas o emburranço deu lugar a uma choradeira que começou a ferver-me a paciência. Se lhe dizia que já íamos comprar o gelado, para brincar um bocadinho, os decibéis aumentavam. Tentei ignorar, não ligar, mas ele andava atrás de mim, agarrava-se a mim, e não se calava. Várias vezes ameacei, se não te calas não há gelado! Mas nada fazia parar a ladainha. Até que, pronto, a mostarda subiu-me ao nariz! Agora vamos para casa e não há gelado!

Imaginam o espectáculo? Nós a andarmos pela rua ao som do David aos berros e tudo a olhar? Os berros foram esmorecendo e por fim só já eram uma cantilena... Mas os meus ouvidos estalavam quando chegámos a casa. E o choro continuou ainda por um bom bocado. Fui preparar o lanche para a cozinha e aos poucos o silêncio foi enchendo o espaço de algum alívio. E quando dei por mim estava o Diogo de pé, a olhar para mim, a dizer com um ar muito sério: "Ó mãe, o Vidi nã gota da mãe..."

Sorri, e foi como o sol a aparecer no meio de nuvens escuras. E a seguir oiço o David a berrar pelo irmão. E lá vai ele para a sala, e volta com novo recado: "O Vidi qué lêtinho e um bombom!"

Recado após recado, lá veio o David já com uma cara melhor, lá lhe passou a burra, lá se justificou: "Eu não queria falar contigo porque estava triste!" e lá voltou tudo a entrar nos eixos. E ainda bem, que este meu filho quando amua... saidibaixo!!!

7 comentários:

um estranho disse...

A filosofia deles é uma coisa extraordinária.
Já te sentes mais enraizada não é?^
Um beijinho doce

paula

papu disse...

Olá :)
É verdade, já estou mais enraizada, mas há momentos em que nos sentimos sempre outside, you know? ;)

É estranho: às vezes olho em volta, para as casas, para as árvores, e tenho a sensação que tive quando acabei de chegar: tudo era novo, diferente, um pouco hostil. Outras vezes parece que estou aqui há uma eternidade e tudo me parece familiar! Um pouco contraditório...

mtc disse...

Olá Papu

Ontem também tive de dizer não a um gelado.
O meu mais novo tem 10...e ainda fica amuado... :(
Prepare yourself;)))
Beijinho

papu disse...

Olá Dreamer! :)

Já me estou a preparar para mais década e meia de birras... ;) será? Não exageremos... eles vão crescendo, as birras vão sendo outras, não é? Enfim, that's life!

mtc disse...

É isso...os amuos vão sendo outros:)
Vais ver que um dia ainda vais ter MUITAS saudades desses tempos em Inglaterra. São experiências que nos deixam sempre "marcas" especiais.Lembra-te sempre disso:)
Fizeste muito bem em criar um blog onde podes escrever tudo o que vais vivendo...para mais tarde recordares com um grande:)

um estranho disse...

Sentes que é familiar porque já estás a criar laços, e em similtaneo sentes um pouco hostil porque as saudades vêm ao de cima...

Será?
Vim deixar-te um beijinho de boa noite e um bocadinho de paciencia anti-birras (ainda vamos ter muitas saudades destas birras papu, lembra-te sempre disso)

Até amanha.

papu disse...

É pá, saudades das birras espero ter só daqui por uns 20 anos... que é como quem diz, quando forem eles a aturarem as birras dos meus netos, eh, eh! (20 anos? Se calhar estou muito optimista, bota mais uns 10 em cima! Que horror, dá quase a minha idade!!)

Mas eles também têm de aturar as minhas não é? ;)

Mas acho que se ficasse um dia ou mais longe deles ia ter mesmo muitas saudades das birras e de tudo o mais...

beijinhos a todas.