sábado, dezembro 17, 2005

CONTRADIÇÕES

Vieira: é mesmo assim, ser mãe é mesmo assim, não podias ter descrito melhor. É uma contradição. Eles são bebés e adoramos agarrá-los bem juntinho a nós e sentir que somos um. Eles crescem e continuam com mimos e querem colo e a gente adora. A gente quer espaço, respirar, uns dias sem eles, por amor de Deus, não aguento! Ficamos sem eles e invade-nos a garra da angústia, e será que estão bem?

Queremos que eles cresçam e que se tornem autónomos e que nos larguem a saia. À noite aconchegamos-lhes a roupa da cama enquanto dormem um sono tranquilo e de repente invade-nos aquela sensação de ternura. Os meus bebés...

Queremos que eles cresçam para enfim termos tempo para nós. Mas depois vem o fantasma: e quando começarem as saídas à noite? E as festas? E as férias sozinhos? Outra vez noites em claro? O meu coração vai aguentar? Mãe, vou com os amigos para férias! Mãe vou com a namorada para a China!

A gente quer que eles cresçam para que ao menos cheguem ao interruptor da luz! E que não me chamem sempre que precisam de tirar um prato ou um copo do armário! Caramba, será que não fazem nada sem mim?

No minuto a seguir abraçamo-los e pegamos-lhes ao colo e já sobram pernas e joelhos e cotovelos... que grande que está o meu bebé!

Já nã xou bebé!

E sorrimos. E quando estamos longe deles, parece que já não sabemos viver.

Mas ansiamos sempre, tanto, pelo nosso espaço. O nosso tempo. As nossas coisas. Um tempo só nosso, sem eles, onde possamos sentir-nos de novo nós, sem eles.

Para depois percebermos que já não existimos nós sem eles. Que vamos ser sempre nós com eles. Com muitas saudades deles, quando longe deles! E que é bom, sim, sentir saudades deles, de preferência muitas vezes, apesar de doer que se farta!

4 comentários:

Miduxe disse...

Está dito de forma tão clara que nada tenho a acrescentar!
Eu sinto o mesmo.
Parabéns pelo post,
bjs

perola&granito disse...

Boas Festas

nascitura disse...

sinto exactamente o mesmo, ao ponto de numa destas noites ter ido buscar o meu Diogo para a minha cama e dormi abraçada a ele

Pim disse...

Será possível que um PAI há apenas dois meses consiga identificar-se com quase tudo o que escreveste? Será? Pois, se calhar é o Pim que não passa de um grande, grande pai babado e que já não consegue passar um segundo sem a sua pinxeja mahía uíta!!! Se calhar é isso :))))

Belo post, papu!
Beijokas grandes***