quarta-feira, julho 11, 2007

O crescimento (envelhecimento?) não é mais do que o reencontrar daquilo que fomos, daquilo em que acreditávamos, do mundo mágico que perdemos quando entrámos na idade da razão.

Primeiro, acreditámos em bruxas, em dragões, em fantasmas, em duendes.

Depois a incredulidade tomou conta de nós. Não existem fantasmas, nem monstros, nada disso. O poder da magia é subsituído pelo poder do nosso corpo, pela certeza da nossa cabeça; o mundo afinal é um aglomerado de massa cinzenta, que funciona sem mistério, tal e qual como o que temos dentro do crânio, apenas uma rede de transmissões eléctricas entre dendrites e axónios.

E um dia, finalmente, é tempo de nos confrontarmos com eles. Os fantasmas. As bruxas, os dragões poderosos e assustadores. Eles existem, sim, e saem directamente dos nossos medos, não para a luz do dia, mas para as sombras da alma, e lá permanecem, com os seus braços de polvo a roçarem-nos a pele num abraço fatal. E nós, para não sucumbir-lhes, temos de conhecê-los, chamá-los pelo nome, viver com eles dentro da nossa casa. Espantá-los, sim, tocá-los timidamente com os dedos crentes, dar-lhes vida, deixá-los livres para que voem - para que apenas ensombrem a noite lá fora, e nos deixem o céu limpo de nuvens cá dentro.

3 comentários:

maria disse...

adorei este post... é realmente verdade o que disseste.

bjnho

B-Good disse...

como te percebo ...

LM,paris disse...

Bonsoir papu, li com atençao alguns textos teus, gostei muito.
Também gosto dos textos " orgânicos" da clarice lispector, grande escritora.
Percebo bem a historia dos fantasmas, desde miùda que eles vêm-me puxar pelos pés, e nao é so metafora...Aprendi a aceità-los, a nao ter medo, matar os medos serà uma via para um pouco mais de serenidade, é preciso tempo, so posso desejar que ele nos seja concedido.Os vivos sao bem mais perigosos,temos provas disso todo o santo dia!Que eles existam na nossa cabeça, ou que eles se materializem, temos que aprender a lidar com eles.
1 beijinho,LM, paris