sexta-feira, janeiro 25, 2008

Alguma coisa tem de ser feita

Já não é a primeira vez que me chegam aos ouvidos coisas deste tipo. Pediatras que dizem aos pais para não pegar nos bebés ao colo, porque lhes cria maus hábitos. "É mamar e cama!", dizem eles. Ora, isto é grave. É mesmo muito, muito grave. Se tivéssemos por aí pediatras que dissessem aos pais para não alimentar o bebé ou para não o deixar respirar, de certeza que, das duas uma, ou estavam internados no Júlio de Matos ou atrás das grades. Mas, o que é irónico, é que, se fosse o caso, nenhum pai ou mãe lhes daria ouvidos.

De uma vez por todas: o toque, o contacto humano, é tão vital como o alimento ou o oxigénio. Privados de contacto humano os bebés também morrem, sim. Ainda que sejam bem alimentados e mantidos limpos. No século passado, houve um grupo de pessoas suficientemente louco para levar a cabo uma experiência desse tipo, e os bebés morreram. É claro que, neste caso, a privação de contacto era extrema.

Ser tocado, abraçado, pegado, aconchegado, beijado, olhado, agarrado no colo, deitado sobre o peito, são tudo nutrientes essenciais para a saúde do bebé. E dentro deste catálogo de afectos físicos, o contacto pele-a-pele é o mais importante de todos. Aliás, os pediatras deviam era prescrever colo e mimos sem limite nem hora marcada, logo na primeira consulta.

Sindicato das Crianças, entidades oficiais responsáveis pelo bem estar das crianças: isto é muito grave. Profissionais da área infantil não podem estar desta maneira alheados da realidade emocional das crianças. Todos os anos centenas (milhares?) de recém-papás e recém-mamãs contactam com estas palavras infecciosas, vindas da boca de um médico, o médico que escolheram para ser o médico dos seus filhos. É muito difícil, nós sabemos, alguém ser capaz de por em causa uma sentença, ou um juízo, desta natureza, emitido por um médico. Infelizmente, digo eu, na nossa sociedade a palavra do médico é muitas vezes confundida com a palavra de Deus (e, o que é pior, mesmo por aqueles que não acreditam em Deus).

Quando nasce o primeiro filho, os pais estão cheios de dúvidas, à procura do melhor para eles. Não podem, de modo nenhum, ouvir coisas destas, ainda para mais ditas pelo pediatra. É urgente que a formação em qualquer área relacionada com a saúde das crianças seja multidisciplinar e que abranja as áreas da saúde mental inter-ligadas com as áreas da saúde em geral (isto é um disparate, porque não há dois tipos de saúde, não faz sentido: há a saúde e ponto final).

O que não pode acontecer, é haver pediatras que dizem este tipo de coisas aos pais. Não pode. Essas pessoas não podem pura e simplesmente exercer. E os casos são inúmeros. Não sei o que se pode fazer, mas alguma coisa tem de ser feita.

2 comentários:

boleia disse...

bravo!!!
nao podia estar mais bem dito!

Kate disse...

Pois é Papu, a saúde mental ainda não é levada a sério. E o mais caricato é que os médicos parecem ser os que mais a ignoram...