terça-feira, agosto 09, 2011

Too much quiet




































Não se vê quase ninguém na rua, mas isso é o habitual. Subi a escadaria junto ao lago, e a luz verde, coada pela copa das árvores, aconchegou-me nos seus braços. Passou por mim um homem a correr, com os headphones nos ouvidos. Tudo normal. Ao chegar lá acima, deparei-me com a extensão imensa do relvado quase deserta. Um pequeno grupo com uma bola, um ou outro tipo deitado no chão a curtir o sol. Com um dia como o de hoje, com esta temperatura no ar e o sol a brilhar por entre as nuvens, isto sim, não é nada habitual. O normal seria estar o relvado cheio de gente, pessoas deitadas, sentadas, em pé a correr atrás de bolas, crianças em correria e gritaria, vozes espalhadas no vento. O silêncio é assim um pouco pesado. Depois ouvem-se as sirenes. Carros da polícia para cá e para lá. Isto também costuma ser uma constante; porém, hoje é como se o som fosse, de alguma maneira, completamente diferente. Como se nos fizesse subir o medo à garganta. Vou andando, sinto o sol nos olhos, o vento nos cabelos, o cheiro da relva no ar. As pessoas com quem me cruzo são as mesmas de sempre. O grupo que joga à bola é uma família. Passa um homem que chuta a bola para o miúdo, com um sorriso. Atravesso a rua e, no olhar das pessoas, vejo qualquer coisa  que se encolhe. A paisagem é em tudo igual. Aqui não houve tumultos, tão pouco lojas ou carros incendiados. Dou com a CO-OP fechada. Não estava à espera disto, e no entanto é tão lógico que assim seja. Volto para trás, faço o caminho de volta. Está um dia lindo. Mais carros da polícia, mais sirenes a anunciar o perigo que pode estar aqui mesmo ao lado. Acho que é essa a diferença. Antes as sirenes anunciavam perigos distantes, por mais perto que estivessem; hoje, o perigo está mesmo aqui ao lado, ainda que o esteja a alguns (poucos) quilómetros.

1 comentário:

JFS disse...

Gostei.
Quando há hipótese das sirenes poderem ser as nossas sirenes é que é pior, não é?
Avisem elas a chegada dos bombeiros, da ambulância ou da polícia.
A sirene do outro é paisagem sonora.