sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Conversas, amizade, livros e arte




A 1 de Abril de 2007 eu escrevia:

Voltar à minha velha amiga Ulmeiro teve o sabor de muitas recordações. Está bastante diferente desde a úlima vez que lá entrei, mas não mudou na essência. Os livros enchem as paredes (e o chão!) e são tantos que lhes ouvimos as conversas distraídas. Outros chamam por nós, convidam-nos a entrar. Sim, é verdade, os livros falam connosco das prateleiras.

Há quadros nas paredes que também nos contam histórias. E se descermos à cave, por umas escadas apertadas, entramos num outro mundo, feito de coisas antigas e memórias embrenhadas nas madeiras dos móveis e no brilho de loiças e vidros que reflectem o arco-íris. E livros, claro. Muitos livros. Dezenas, centenas.


Apetece ficar ali uma tarde, ou um dia inteiro, a folhear páginas, algumas já amareladas, outras com a cor de muitas mãos e muitos olhares, a espreitar títulos em lombadas ocultas nas sombras das prateleiras, a sentir o cheiro de cada história. Já experimentaram cheirar aqueles livros que ainda retêm o mesmo cheiro de há vinte ou trinta anos? Não viajam no tempo?


Mas o melhor que esta velha amiga me trouxe foram dois novos amigos: o Zé Ribeiro e a Lúcia. Com ela apenas trocámos algumas palavras e sorrisos, com ele passámos duas tardes inteiras na conversa, e acho que teríamos ficado mais tempo, não fossem as imposições horárias das nossas vidas a tomarem o comando. Falámos de tudo um pouco, de livros, do mundo, da vida, dos filhos (e dos netos) e acho que no fim ficámos com a sensação de que já nos conhecíamos de longa data. Do Zé, o que me ficou foi a sua simplicidade, o sorriso contagiante, e aquele brilho no olhar de quem já viveu muito.


Ficou também a vontade de voltar, e perder-me no meio dos livros e das recordações.


Hoje, escrevo de novo, para vos dizer que a minha velha amiga precisa de ajuda. O espaço Ulmeiro corre o risco de fechar, e decorre neste momento uma Feira do Livro nas suas instalações, com o objectivo de salvar a livraria, que é um dos principais símbolos da luta e resistência à censura nos tempos da ditadura. A feira pode ser visitada de segunda a sábado, das 10h às 19h, na Av. do Uruguai, 13 A, em Benfica, Lisboa.


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