domingo, julho 10, 2005

SUN DAY

Hoje deixei mesmo a casa porca e imunda e aí fomos nós rua acima, a sentir os raios do sol a acariciarem-nos a pele em beijos de calor. Soprava um ventinho que era bom e não deixava o sol abrasar demasiado a pele. Eles correram rua acima, comigo sempre atrás: "Espera aí, David, ali na estrada páras. Espera aí, Diogo, agora tens de dar a mão à mãe..." É apenas para lhes fazer sentir o perigo que representa a estrada e os carros, porque de facto aqui é raro passar um carro e a rua está quase sempre deserta de movimento.

Depois subimos uma escadaria, com o David sempre à frente, e lá saltou um esquilo do meio da vegetação que atravessou o espaço numa correria doida, mesmo em frente dos olhos de riso do David: "olha, mãe!" E ficámos a vê-lo subir a uma árvore, cada vez mais alto, mais alto, mais alto... até o pescoço começar a doer.

No cimo da escadaria é preciso atravessar nova estrada, e lá se repete o ritual de dar a mão à mãe. Olhos para um lado, olhos para outro, vou aproveitando para ensinar o David a atravessar as ruas. E assim chegamos à relva. Correrias, brincadeiras, saltos. Vamos para o parque infantil onde há uma espécie de lago com o fundo pintado de azul, mas sem água. O espaço é imenso e a altura não é grande, de modo que saltam os dois lá para dentro e aí vão eles em correria, pontapés na bola, gritos, risos e muita energia.

Eu sento-me à sombra. É que o sol está nesmo quente, apesar de não ser muito forte. E fico a sentir o abraço do calor misturado com a aragem da manhã, enquanto a vista se perde na imensidão azul do céu. Estava com saudades de dias assim, com o sabor do verão.

Vêm senta-se os dois ao pé de mim. Estão corados, as bochechas vermelhas, os cabelos transpirados, os olhos e a pele a brilharem no refexo da luz do sol. A respiração ofegante, as gargalhadas nascidas no peito e abertas no espaço.

Seguem-se as brincadeiras no escorrega. Mais gritos e mais risadas. Daqui a pouco temos de ir embora, meninos. Protestos. É sempre a mesma coisa, nunca querem sair de casa e depois quando chega a hora nunca querem voltar.

E lá voltámos, com o único contratempo de o David se ter sentado em cima de cocó de cão e sujado os calções. Mas não foi nada de mais. Ainda parámos num banco à sombra para eles apanharem pedrinhas e malmequeres. O David aprendeu recentemente a lengalenga do malmequer, bem me quer, enquanto se tiram as pétalas, uma a uma, às florzinhas, e ficaram os dois entretidos e cheios de pétalas amarelas nos cabelos e na camisola.

E o sol, triunfante, lá em cima, a aquecer-nos os corações, a despertar-nos os sentidos, a amolecer-nos as pálpebras e a franzir-nos os olhos.

E a exclamação óbvia do David: "mãe, sabes porque é que está um dia quente? Porque hoje é Sunday, Sun Day, que é dia quente!"

3 comentários:

antonio contador disse...

hoje é sun day porque a tua historia é bonita e bela demais. Em dias cinzentos nao pelo sol mas pela alma esta tua clareira enche-me de vida. Nem sabes como! Perguntei ao Jojo por vos se nao tinham sido afectados pelas bombas. Vejo que nao. Boa. Agora deixo-vos um forte abraco a todos e em especial ao meu afilhado. Contas.

papu disse...

Olá, Contador! Obrigada pelas tuas palavras... e manda lá um mail para a malta pôr a conversa em dia! Já pus o contacto no meu profile. Beijinhos!

Mãe Bisnaga disse...

:) Gostei de ler.

E que bom que esta semana os dias vão ser melhores.