segunda-feira, julho 16, 2007

Eu sou um animal de hábitos

é o que é.
E isto é particularmente verdadeiro em relação à condução.
Antes de tirar a carta, só a ideia de conduzir, fazia-me sentir pavor. Achava que NUNCA ia ser capaz de tal coisa.
Ainda tenho, mas agora a diferença é que, como aprendi a guiar, o medo pode ser controlado. Como quem aprende a atravessar uma estrada: é perigoso, mas se tomarmos certas precauções, sabemos que há menos probabilidades de acontecer alguma coisa.
Mas detesto aquela sensação pós tirar a carta, e o pior é que ela me tem visitado amiúde.
O segredo para vencer essa barreira é só um: persistência e calma. Persistência para continuar, apesar de só nos apetecer fugir quando o carro se recusa a obedecer-nos, quando demoramos uma eternidade para arrancar e começa atrás de nós o coro desenfreado das buzinhas, ou quando o carro vai abaixo. E calma, para conseguir ignorar tudo isso a ponto de não nos enervarmos e não nos pormos em risco.
Pois é. Fácil de dizer. Eu, cada vez que mudo de carro, é um martírio. Nos primeiros momentos parece que não sei conduzir. É a porcaria da embraiagem que pega mais acima, ou mais abaixo, é o estúpido do travão que se tem de carregar mais ou menos, é o tamanho do sítio onde ponho as pernas que muda, é os espelhos que não me deixam ver quase nada, é tudo! E, para tornar o prato ainda mais suculento, esta coisa de conduzir do lado esquerdo, e da porcaria dos piscas e das luzes mudarem de carro para carro! Isto para não falar das mudanças e do habituar-me ao outro lado, cada vez que vou a Portugal, e depois, quando chego.
Pois é, mudámos de carro. Ontem o meu marido foi buscá-lo. E eu, depois de dois anos e meio a conduzir o outro, a quem já conhecia as manias e os caprichos, pumba! Não, não bati. Mas parecia atrasada mental, ontem, só para fazer uma inversão de marcha. Bom. Hoje respirei fundo, e lá fui fazer o ponto de embraiagem ali para um sítio mais calmo. E depois fui às compras, e nem deixei o carro ir abaixo uma única vez! E pronto, eu até sei que é assim, mas fico mesmo virada do avesso. Calma e persistência, foi o que eu disse? Sobretudo, muita calma, para não me passar, cada vez que quero fazer o pisca, e começam os limpa pára-brisas a funcionar. Daqui a dois dias já me vou sentir como se nunca tivesse tido outro carro na vida.

5 comentários:

kella disse...

Acho que nunca na vida vou conseguir conduzir desse lado da estrada!!!

papu disse...

Eu também dizia o mesmo!
Aliás, quando aqui cheguei e peguei num carro ia-me dando uma coisinha má! :P

Mas a gente habitua-se, é só o que te digo. Hoje para mim conduzir do lado esquerdo é mais natural do que do direito. Quando chego a Portugal é um desatino os primeiros dias no trânsito...

Bjs

edelweiss disse...

Pois a minha luta agora é com o novo lugar de estacionamento: pior do que mudar de carro, só mudar de garagem!
E parabéns por conseguires conduzir do lado esquerdo, acho que só por isso já és a melhor condutora do mundo!

Maria Helena disse...

Papucita
É mesmo assim. Eu que o diga, que mal cheguei a conduzir depois da carta tirada. Só pensar em pôr- me ao volante dá-me cá um friozinho no estômago... Chegava a ter pesadelos sempre que se punha a hipótese de conduzir, pânico autêntico.
Tenho muita falta de confiança em mim própria para tudo o que faço mas, neste assunto, cortei o mal pela raíz: o Jacinto que guie! bjs Lena

maria disse...

Acho que isso é muito normal. Os carros são sempre diferentes e requerem sempre uma adaptação

bjnho